Ortega descarta eleições na Nicarágua e promete “muro” legal contra oposição
Presidente Daniel Ortega afirma que não haverá mais votações para evitar que oposição no exílio chegue ao poder, em meio a reformas constitucionais e preocupações com sua saúde.
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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descartou neste domingo, 19 de julho de 2026, a realização de eleições no país. A declaração, feita durante a celebração do 47º aniversário da Revolução Sandinista em Manágua, visa impedir que a oposição, em grande parte exilada, acesse o governo. Ortega, que está no poder há quase duas décadas, governou também na década de 1980 e retornou à presidência em 2007.
“Esqueçam, aqui (na Nicarágua) não haverá mais eleições para que assim tentem tomar o governo e tomar o poder”, declarou Ortega, de 80 anos, referindo-se aos seus opositores.
A Nicarágua realizaria eleições gerais em novembro de 2026. Contudo, uma reforma constitucional implementada há um ano e meio ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos, transferindo as votações para novembro de 2027. Desde 2007, Ortega exerce o poder ao lado de sua esposa, Rosario Murillo, após eleições questionadas ou com medidas que anularam seus adversários políticos.
Regime de Poder Absoluto e Repressão
Ortega e Murillo governam a Nicarágua com poder absoluto e mantêm um forte controle sobre a sociedade nicaraguense. Este cenário se intensificou após os protestos de 2018, cuja repressão resultou em mais de 300 mortos, conforme dados da ONU.
Opositores foram presos, forçados ao exílio e despojados de sua nacionalidade e bens. Jornalistas, intelectuais e religiosos críticos ao governo enfrentaram destino semelhante. Milhares de nicaraguenses vivem refugiados em países como Costa Rica, Espanha e Estados Unidos.
Movimentos da oposição no exílio mantêm a esperança de que a pressão internacional possa gerar uma transição ou eleições livres na Nicarágua. Ortega, no entanto, rechaça essa possibilidade.
“Eles vêm conspirando (…) buscando como organizar partidos para que, em uma eleição que eles presumem, esses partidos ganhem as eleições”, afirmou Ortega, diante de milhares de apoiadores reunidos em uma praça em Manágua. Ele acrescentou: “aqui acabou a história de que os partidos colocados pelos ianques (Estados Unidos) voltarão a chegar ao governo, jamais, jamais, jamais.”
Leis Contra a Oposição e Reforma Constitucional
Em ato público ao lado da esposa e de alguns de seus filhos, Ortega adiantou que o governo aprovará leis para frear a oposição.
“Vamos trabalhar com a Assembleia Nacional e com as organizações correspondentes, porque é preciso fazer leis que levantem um muro, um bloqueio contra os golpistas, contra os vendedores da pátria, e que, por mais dinheiro que recebam dos ianques, não poderão” chegar ao poder, afirmou o presidente.
Em fevereiro de 2025, entrou em vigor na Nicarágua uma reforma da Constituição Política que anulou a independência dos poderes. A medida concedeu poder total a Ortega e Murillo, cujo cargo foi elevado de vice-presidente a copresidente.
Saúde de Ortega e Rumores de Sucessão
A aparição pública de Ortega neste domingo marcou seu retorno após dois meses de ausência. Ele chegou ao evento dirigindo um carro, embora nos últimos meses tenha sido visto com dificuldade para caminhar em atos públicos. Opositores sugerem que Murillo estaria consolidando poder em todas as instituições do Estado, ante um eventual falecimento de Ortega, que, segundo relatos, sofre de lúpus e insuficiência renal.
O casal presidencial acusa a oposição de “traição à pátria” e de buscar um golpe de Estado, remetendo às manifestações de 2018. Eles também classificam organismos internacionais, que os apontam por graves violações de direitos humanos, como “ingerencistas” e “mentirosos”.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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