Hepatites Virais: Estudo Abrangente Traça Panorama no Brasil
Pesquisadores do Einstein Hospital Israelita analisaram 200 trabalhos científicos. O estudo abrangeu 14,5 milhões de pessoas, traçando um panorama das hepatites virais no Brasil. A pesquisa, parte do Proadi-SUS, busca fortalecer a prevenção e o cuidado. O objetivo é alcançar a meta de eliminação até 2030.
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O estudo publicado na revista internacional PLOS ONE analisou dados de todas as hepatites virais. Foram consideradas as hepatites A, B, C, D e E. João Renato Rebello Pinho, coordenador da pesquisa no Einstein, explicou a Agência Brasil a relevância do trabalho. “As pessoas pensam mais nas hepatites B e C. Elas são bem frequentes e causam hepatites crônicas”.
Panorama das Hepatites Virais
O projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas gerou este conhecimento. A iniciativa é do Einstein, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS).
Hepatite A: Casos e Prevenção
A hepatite A é aguda e pode ter casos graves. Sua prevenção é feita por vacinação. João Renato Rebello Pinho ressaltou o retorno da hepatite A ao Brasil. A transmissão principal se dá entre homens.
- Formas de transmissão da Hepatite A:
- Contato oral/anal.
- Água ou alimentos contaminados.
A doença começou em grupos de homens que fazem sexo com outros homens. Espalhou-se, então, para populações não vacinadas. A vacinação é crucial para todos, incluindo mulheres que praticam sexo oral/anal.
O contágio de pessoa para pessoa é difícil. É necessário um contato muito íntimo. Não há risco de transmissão em locais públicos, como ônibus ou trânsito. Em ambiente familiar intenso, o contágio pode ocorrer. Crianças com hepatite A podem transmitir a outros com mais facilidade.
A hepatite A, de transmissão oral/fecal, ocorre muito na Região Amazônica. Também é frequente nas regiões Norte e Nordeste. Há muitos casos na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Isso ocorre em homens maiores de 18 anos devido ao comportamento sexual. A falta de vacinação gratuita para esta faixa etária contribui.
Hepatites B e C: Transmissão e Tratamento
Para as hepatites B e C, a principal forma de contato é sexual. O contato com sangue também é uma via. Isso inclui o uso de drogas endovenosas. A transmissão de mãe para filho na gestação e parto é outra forma importante.
- Transmissão de Hepatites B e C:
- Contato sexual.
- Contato com sangue ou produtos sanguíneos.
- Uso de drogas endovenosas.
- Transmissão vertical (mãe para filho).
O Brasil controla bem a transmissão de hepatite B e HIV de mãe para filho. Isso é raro atualmente. Existe vacina contra a hepatite B. Diferente da hepatite A, a hepatite B pode ser crônica. Ambas, B e C, relacionam-se com cirrose e câncer de fígado. Por isso, vacinar-se contra a hepatite B é vital.
Tratamentos muito eficazes existem para a hepatite B. Para a hepatite C, não há vacina. Suas vias de transmissão são parecidas com as da B. Contudo, tratamentos curam mais de 95% dos pacientes. Antes, os tratamentos eram ruins, mas hoje são excelentes.
Evitar a hepatite C é o ideal. Sexo seguro e evitar contato com sangue são medidas essenciais. Isso inclui não usar drogas endovenosas proibidas. Antigamente, seringas compartilhadas e transfusão de sangue transmitiam a hepatite C. Hoje, isso é muito raro.
Hepatite D: A Doença Negligenciada
João Renato Rebello Pinho descreveu a hepatite D, ou Delta, como negligenciada. Ela afeta populações de nível socioeconômico mais baixo. Essas populações são frequentemente ignoradas pelos sistemas de saúde. No Brasil, é muito comum na região amazônica.
A doença afeta populações ribeirinhas, de difícil acesso. O diagnóstico ali é um desafio. A hepatite B também é mais frequente na Amazônia. Apesar de vacina e tratamento eficazes, ela é muito espalhada. Há várias fontes do vírus em diferentes lugares do Brasil.
As hepatites B e D são relacionadas. Só contrai hepatite D quem já tem o vírus da hepatite B. Ou a pessoa adquire os dois vírus ao mesmo tempo. Estudos genéticos mostram que os vírus no Brasil são característicos da Amazônia. Um ciclo viral se mantém há muito tempo na região.
A vacina para hepatite B também previne a hepatite Delta. Sem hepatite B, não há hepatite Delta. Em populações ribeirinhas, é comum a infecção simultânea. Nesses casos, a hepatite é mais grave. Pode ser fulminante ou crônica mais grave. Causa cirrose e câncer de fígado, sendo um grande problema.
O médico do Einstein considera este tipo de hepatite uma doença rara. As pessoas esquecem da hepatite Delta. Ela está presente em grupos populacionais específicos. Nesses grupos, sua frequência e mortalidade são altas. É uma doença negligenciada e mal diagnosticada.
Hepatite E: Uma Zoonose
A hepatite E não é amplamente conhecida. Foi descrita na Índia, com casos graves e epidemias extensas. Um genótipo específico é encontrado apenas naquele país. No Brasil e Europa, a hepatite E é causada por um genótipo animal. É uma zoonose, transmitida de animais, especialmente porcos, para humanos.
Estudos já mostram porcos infectados com hepatite E no Brasil. A noção de saúde única beneficiará a hepatite E e outras hepatites virais. Melhorar a saúde de humanos e animais é essencial. Para a hepatite E, é preciso considerar os porcos. O Sul do Brasil pode ter mais hepatite E, devido à maior criação de suínos. Esta hepatite não é tão grave. É uma doença aguda que, muitas vezes, passa despercebida. Necessita de mais estudos no Brasil.
Prevalência das Hepatites no Brasil
Dos 200 estudos, a hepatite B foi a mais analisada, seguida pela C.
- Soroprevalência da Hepatite A:
- População geral: 33,3% a 67,8%.
- Populações encarceradas: 88,1%.
- Imigrantes: 87,4%.
- Indivíduos transgêneros: 75,6%.
- Prevalência da Hepatite B:
- População geral: 0% a 7,5%.
- Maiores taxas na região Amazônica.
- Soroprevalência da Hepatite C:
- População geral: 0,04% a 2,2%.
- Pessoas que usam drogas: 36,9%.
- Prevalência da Hepatite D:
- Predominantemente na região Amazônica.
- Varia de 0% a 23,9%.
- Prevalência da Hepatite E:
- População geral: 0,9% a 59,4%.
- Maior valor na Região Sul.
Apoio à Saúde Pública Nacional
O material do grupo liderado pelo Einstein apoiará gestores e profissionais. Pesquisadores também serão beneficiados. O objetivo é planejar iniciativas alinhadas aos esforços nacionais. A meta é eliminar estas doenças até 2030.
Sobre o Proadi-SUS
O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) foi criado em 2009. Seu objetivo é aprimorar o SUS. Isso acontece por meio de projetos de capacitação e pesquisa. Também inclui avaliação e incorporação de tecnologias. O programa oferece gestão e assistência especializadas.
- Hospitais participantes do Proadi-SUS:
- A.C. Camargo Cancer Center.
- Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
- BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
- Hcor.
- Einstein Hospital Israelita.
- Hospital Moinhos de Vento.
- Hospital Sírio-Libanês.
Os recursos do Proadi-SUS vêm da imunidade fiscal dos hospitais participantes.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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