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Corpo de ‘Café’, 1ª vítima do serial killer Nando, segue sem identificação há 10 anos em Campo Grande

Perfil genético de 'Café' está armazenado na rede nacional de DNA, mas nenhum familiar apareceu para comparar o material.

08/08/2026 às 12:36
3 min de leitura
Corpo 'Café', 1ª vítima do serial killer Nando, está sem identificação há 10 anos
Nando acompanha buscas por corpos em cemitério clandestino no ano de 2016. (Foto: Adriano Fernandes/Arquivo)

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Perfil genético de ‘Café’ está armazenado na rede nacional de DNA, mas nenhum familiar apareceu para comparar o material.

Perfil genético de ‘Café’ segue sem correspondência

Conforme a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, os restos mortais de ‘Café’ passaram por procedimentos médico-legais e coleta de material biológico. “A análise realizada pelo IALF (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses) permitiu a obtenção de um perfil genético masculino. No entanto, esse resultado, isoladamente, não revela a identidade da pessoa. Para que a identificação civil seja estabelecida, é necessário compará-lo com amostras de familiares biológicos ou com outro material de referência vinculado à pessoa desaparecida”, informa a Polícia Científica.

O perfil permanece armazenado no Banco Estadual de Perfis Genéticos, integrado à rede nacional, e é submetido semanalmente a confrontos com os demais registros disponíveis. Caso familiares de pessoas desaparecidas realizem coleta de material biológico em qualquer unidade da federação integrada à rede, as amostras poderão ser comparadas. Até o momento, não há correspondência. Após os exames, foi emitida declaração de óbito como pessoa não identificada, e os restos foram sepultados por determinação judicial.

A história de ‘Café’ e o cemitério clandestino

‘Café’ era uma pessoa em situação de vulnerabilidade. Segundo a delegada Aline Sinnott Lopes, ele estava em Campo Grande, mas era oriundo de São Paulo. Praticava pequenos furtos no bairro, era usuário de drogas e negro. “Não apareceu ninguém que conhecesse”, diz a delegada, autora do livro ‘A Jornada dos Esquecidos’.

A vítima devia dois fretes a Nando, somando R$ 170. O crime foi em parceria com Jean Marlon Dias Domingues. O comparsa falou, e Nando, vaidoso, resolveu abrir a boca.

O cemitério dos esquecidos ficava num prolongamento da Rua Lise Rose, no Jardim Veraneio, onde entulhos eram descartados, inclusive por Nando, que era jardineiro. A investigação começou por suspeitas de exploração sexual de adolescentes, tráfico de drogas e rinha de galos. Até então, não havia homicídios.

“Se tinha notícia do desaparecimento de algumas pessoas residentes no bairro. No dia que nós cumprimos as buscas, um dos envolvidos indicou o local correto e começaram as escavações. Mas nós demoramos algum tempo até encontrar o primeiro, que foi o Café”, afirma a delegada.

A arma de Nando: o esquecimento

“O Café sintetiza muito bem o que era e qual a arma principal utilizada pelo autor dos crimes. Que era, justamente, esse esquecimento, essa vulnerabilidade. Ninguém iria procurar. De fato, essa era a arma principal na prática desses crimes”, diz a delegada.

Durante a investigação, a delegada se deparou com o esquecimento. “Chegávamos nas casas e tinha uma história cobertura. Eu digo que você fugiu com o seu namorado, enquanto que, na verdade, eu te matei. Ele tinha uma certa ascendência no bairro, seja pela imposição do medo ou porque estava ali há muito tempo.” A situação fazia com que desaparecimentos nem fossem formalizados em Boletim de Ocorrência, caso de ‘Café’.

Com o material genético armazenado, um dia pode surgir um parente. “Realmente, o Café pode ter uma família que está procurando por ele até hoje. Nós tínhamos vítimas que, muito embora a mãe não estivesse procurando, tínhamos uma avó. Nós somos lembrados sempre enquanto formos palavras na boca de alguém. Esse foi um dos motivos de eu ter escrito o livro”, afirma a delegada.

Pena de 214 anos de prisão

Em 29 de junho de 2018, Nando e Jean foram condenados pelo homicídio de ‘Café’ na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. As penas foram:

  • Nando: 18 anos e 3 meses de reclusão por homicídio qualificado
  • Jean: 15 anos e 6 meses de prisão em regime fechado

Ao todo, a pena de Nando é de 214 anos e 10 meses de prisão por homicídios e destruição de cadáver. Nando matou 16 jovens na região do Bairro Danúbio Azul. As vítimas eram, em sua maioria, pessoas em situação de vulnerabilidade, como usuários de drogas e profissionais do sexo.

Em maio, o serial killer tentou prisão domiciliar devido ao estado de saúde. Ao negar o pedido, o juiz Luiz Felipe Medeiros Vieira afirmou que a Lei de Execução Penal assegura o direito à saúde, mas destacou a periculosidade. “Isso porque o apenado ostenta elevadíssimo grau de periculosidade, cumpre pena totalizada em 214 anos, 10 meses e 10 dias de reclusão, decorrente da prática de crimes de extrema gravidade, dentre eles diversos homicídios qualificados e delitos relacionados à destruição e ocultação de cadáver”, disse o juiz.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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