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Justiça de Campo Grande manda remover canil do Batalhão de Choque e proíbe treinos com gás ao lado de condomínio

Ação do Residencial San Pietro Villaggio levou Justiça a dar prazo de seis meses para realocar canil e treinos com gás.

08/08/2026 às 12:37
3 min de leitura
Justiça de Campo Grande manda remover canil do Batalhão de Choque ao lado de condomínio
Sede do Batalhão do Choque fica localizado nos altos da Afonso Pena, ao lado de condomínio residencial (Foto: Repdroção/Google Maps)

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Ação do Residencial San Pietro Villaggio levou Justiça a dar prazo de seis meses para realocar canil e treinos com gás.

A 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande determinou que a Polícia Militar remova o canil da sede do Batalhão de Choque, na Avenida Afonso Pena, e suspenda cursos e treinamentos com bombas, gás lacrimogêneo ou gás de pimenta no local. O prazo é de seis meses. A decisão, publicada nesta sexta-feira (7), atende a ação movida pelo Condomínio Residencial San Pietro Villaggio, cujas casas fazem divisa com o batalhão.

Moradores relataram anos de perturbação contínua ao sossego e à saúde. O canil abrigava de 13 a 21 cães policiais, com latidos ininterruptos dia e noite e forte mau cheiro de dejetos. A situação mais grave envolvia os treinamentos: o gás lacrimogêneo e o gás de pimenta se dissipavam em direção às casas, provocando irritação nos olhos, dores de cabeça e falta de ar. Testemunhas disseram que precisavam se deitar no chão ou até deixar as residências temporariamente.

Juiz vê uso anormal da propriedade

Na decisão, o juiz Claudio Müller Pareja afirmou que, embora a segurança pública seja essencial, a supremacia do interesse público não justifica submeter vizinhos a incômodos desproporcionais e a riscos à saúde. A transferência do canil e dos treinos mais ruidosos para outra localidade não inviabiliza as atividades operacionais do batalhão. Após o prazo, a PM poderá manter no local apenas um número reduzido de cães para operações emergenciais.

PM diz que ainda não foi notificada

Em nota ao Campo Grande News, a PM afirmou que ainda não foi notificada da decisão. Após a ciência formal, a decisão será analisada para definição das providências cabíveis. Caso sejam necessárias adequações nas atividades de instrução e treinamento, a PMMS adotará medidas para garantir a continuidade da capacitação. O policiamento e o atendimento à população não serão prejudicados.

MPMS apura situação precária das unidades

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gacep, instaurou inquérito civil em junho de 2025 para apurar as condições estruturais e a necessidade de realocação do Batalhão de Choque e do 9º Batalhão. O promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos afirmou que ambas as unidades operam em situação precária. O MP acompanha os relatos desde 2022.

Laudo aponta deficiências no Batalhão de Choque

Um laudo de vistoria do MPMS, realizado em maio de 2026, aponta que a sede do Batalhão de Choque tem bom estado de conservação, mas é insuficiente e inadequada para um batalhão de forças especiais. Durante a inspeção, foram constatados:

  • Alojamentos: capacidade de leitos muito inferior ao efetivo de 170 policiais, com dormitório masculino improvisado na academia.
  • Infraestrutura: infiltrações em paredes e tetos, vazamento de esgoto sobre a sala de instruções.
  • Mobilidade: estacionamento reduzido para viaturas.
  • Impacto sonoro: incômodo causado pelos cães do canil ao condomínio vizinho.

Para sanar as deficiências, a equipe pericial sugeriu a realocação do canil para a área do estacionamento voltado à Avenida do Poeta, reduzindo o impacto acústico. Isso liberaria espaço para ampliação do prédio e construção de novos alojamentos e estruturas adequadas.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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