Justiça de Campo Grande manda remover canil do Batalhão de Choque e proíbe treinos com gás ao lado de condomínio
Ação do Residencial San Pietro Villaggio levou Justiça a dar prazo de seis meses para realocar canil e treinos com gás.
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Ação do Residencial San Pietro Villaggio levou Justiça a dar prazo de seis meses para realocar canil e treinos com gás.
A 3ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande determinou que a Polícia Militar remova o canil da sede do Batalhão de Choque, na Avenida Afonso Pena, e suspenda cursos e treinamentos com bombas, gás lacrimogêneo ou gás de pimenta no local. O prazo é de seis meses. A decisão, publicada nesta sexta-feira (7), atende a ação movida pelo Condomínio Residencial San Pietro Villaggio, cujas casas fazem divisa com o batalhão.
Moradores relataram anos de perturbação contínua ao sossego e à saúde. O canil abrigava de 13 a 21 cães policiais, com latidos ininterruptos dia e noite e forte mau cheiro de dejetos. A situação mais grave envolvia os treinamentos: o gás lacrimogêneo e o gás de pimenta se dissipavam em direção às casas, provocando irritação nos olhos, dores de cabeça e falta de ar. Testemunhas disseram que precisavam se deitar no chão ou até deixar as residências temporariamente.
Juiz vê uso anormal da propriedade
Na decisão, o juiz Claudio Müller Pareja afirmou que, embora a segurança pública seja essencial, a supremacia do interesse público não justifica submeter vizinhos a incômodos desproporcionais e a riscos à saúde. A transferência do canil e dos treinos mais ruidosos para outra localidade não inviabiliza as atividades operacionais do batalhão. Após o prazo, a PM poderá manter no local apenas um número reduzido de cães para operações emergenciais.
PM diz que ainda não foi notificada
Em nota ao Campo Grande News, a PM afirmou que ainda não foi notificada da decisão. Após a ciência formal, a decisão será analisada para definição das providências cabíveis. Caso sejam necessárias adequações nas atividades de instrução e treinamento, a PMMS adotará medidas para garantir a continuidade da capacitação. O policiamento e o atendimento à população não serão prejudicados.
MPMS apura situação precária das unidades
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gacep, instaurou inquérito civil em junho de 2025 para apurar as condições estruturais e a necessidade de realocação do Batalhão de Choque e do 9º Batalhão. O promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos afirmou que ambas as unidades operam em situação precária. O MP acompanha os relatos desde 2022.
Laudo aponta deficiências no Batalhão de Choque
Um laudo de vistoria do MPMS, realizado em maio de 2026, aponta que a sede do Batalhão de Choque tem bom estado de conservação, mas é insuficiente e inadequada para um batalhão de forças especiais. Durante a inspeção, foram constatados:
- Alojamentos: capacidade de leitos muito inferior ao efetivo de 170 policiais, com dormitório masculino improvisado na academia.
- Infraestrutura: infiltrações em paredes e tetos, vazamento de esgoto sobre a sala de instruções.
- Mobilidade: estacionamento reduzido para viaturas.
- Impacto sonoro: incômodo causado pelos cães do canil ao condomínio vizinho.
Para sanar as deficiências, a equipe pericial sugeriu a realocação do canil para a área do estacionamento voltado à Avenida do Poeta, reduzindo o impacto acústico. Isso liberaria espaço para ampliação do prédio e construção de novos alojamentos e estruturas adequadas.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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