Selvíria perde 58 mil hectares e R$ 12 milhões por mês para Três Lagoas, aponta Valticinez Santiago
Estudo do secretário-adjunto de Meio Ambiente de Selvíria revela que divisa com Três Lagoas reduz área do município e compromete arrecadação com eucalipto.
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Um estudo realizado no município de Selvíria aponta que a cidade perdeu cerca de 58 mil hectares de área territorial ao longo das mudanças nas divisas. A região, hoje ocupada por plantações de eucalipto, representa uma perda mensal de R$ 12 milhões com silvicultura, segundo o idealizador da pesquisa, Valticinez Santiago.
Valticinez é secretário-adjunto de Meio Ambiente de Selvíria e perito ambiental. Ele apresentou o estudo “Reavaliação dos limites geográficos do município de Selvíria a partir da revisão Topográfica da Sub-bacia hidrográfica do Rio Sucuriú”.
“Geograficamente, essa área não é de Três Lagoas. Estamos querendo que seja revogada essa lei e que se crie o que o curso natural nos fala. A gente não pode mudar o rio”, destacou.
Estudo de Selvíria propõe Rio Sucuriú como novo limite
O levantamento analisa a história da formação dos municípios de Três Lagoas e Selvíria. Confira as datas:
- 1914: criação do distrito de Véstia.
- 1915: criação do município de Três Lagoas.
- 1959: Lei Estadual nº 1.307 altera o nome para Guadalupe do Alto Paraná.
- 1980: criação de Selvíria, desmembrada de Três Lagoas.
No entanto, as coordenadas geográficas usadas no estudo mostram inconsistência: em alguns momentos, a região de Guadalupe aparece vinculada a Três Lagoas e, em outros, a Selvíria.
“O município de Três Lagoas invadiu a área territorial. O que me chamou a atenção é que justamente o nosso município vem sofrendo a muitos e muitos anos com a questão territorial e os impactos tributáveis. O meu estudo é mostrar para o governo estadual e para a população o que aconteceu no passado”, pontuou.
Entenda a disputa territorial entre Selvíria e Três Lagoas
Para Valticinez, o município precisa buscar seus direitos territoriais. “O município tem que buscar seus direitos territoriais, porque a grande perda de recursos públicos está nessa área. Há documentos fartos para que a gente possa comprovar no meio jurídico, aonde possa convocar o IBGE e possa fazer a delimitação novamente. Há documentos do Exército Brasileiro, as cartas da Enciclopédia das Águas, toda a documentação comprova o que o estudo mostrou. Há um impacto ambiental, social, cultural e perda territorial”, disse.
Silvicultura custa R$ 12 milhões mensais a Selvíria
A expansão da silvicultura é apontada como um dos principais fatores que aumentaram a importância econômica da área. Selvíria possui atualmente 91 mil hectares de eucalipto plantado. “A matéria-prima gerada pelo eucalipto não tem tributação, me chamou a atenção porque o município de Selvíria não crescia”, afirmou Valticinez.
O município apresenta perda populacional de 7 mil pessoas e dificuldades para criar condições de crescimento econômico. O cenário estaria relacionado às dificuldades para atrair empresas, gerar empregos e acompanhar o desenvolvimento regional.
“Se nós conseguirmos recuperar essa área, ela nos traz um financeiro. Nós não temos especialidade médica na área, essa área seria para construir novas coisas”, disse.
Entre os locais citados está a Eldorado, considerada por Valticinez como parte do território que Selvíria pretende recuperar. Em 2013, a reportagem já havia publicado sobre essa disputa, quando se tratava de 20 mil hectares.
O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura de Três Lagoas, de Selvíria e com a fábrica da Eldorado e aguarda o retorno.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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