Homem morto em abordagem do Choque era passageiro em carro de aplicativo
Jean Gabriel Rapini de Souza, 22 anos, foi morto ao descer armado durante abordagem do Batalhão de Choque, na noite desta segunda-feira (10).
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Jean Gabriel Rapini de Souza, morto após intervenção de policiais do Batalhão de Choque na noite desta segunda-feira (10), em Campo Grande, estava como passageiro de um carro de aplicativo no momento da abordagem.
Segundo a corporação, a equipe fazia patrulhamento ostensivo na Avenida Duque de Caxias quando identificou o veículo. O comportamento do passageiro despertou suspeita, mas a PM não detalhou qual atitude teria motivado a avaliação.
Os policiais passaram a acompanhar o automóvel até a Rua Manoel Ferreira, nas proximidades do IFMS. O motorista desembarcou e informou que trabalhava com transporte por aplicativo. Já o passageiro permaneceu dentro do veículo, mesmo após ordem para sair.
Disparo e reação policial
Conforme o boletim de ocorrência, após nova determinação, Jean teria desembarcado repentinamente segurando uma arma de fogo e efetuado um disparo em direção à equipe. Os policiais reagiram e ele foi atingido.
Após a troca de tiros, os militares fizeram a aproximação e retiraram a arma que estaria com Jean. Durante a busca, também foram localizados 26 pinos de cocaína.
Socorro e perícia
A equipe do Choque acionou atendimento médico. Jean foi encaminhado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Almeida, onde recebeu atendimento, mas teve a morte constatada posteriormente.
A perícia foi chamada para realizar os levantamentos no local. O revólver calibre 32 foi apreendido, bem como outros materiais. A Polícia Judiciária Militar apura as circunstâncias da intervenção policial com resultado morte.
Histórico policial de Jean Gabriel
O nome de Jean Gabriel Rapini de Souza já havia aparecido em outro caso de grande repercussão em Campo Grande. Em abril de 2020, quando tinha 17 anos, ele foi apreendido por participação no roubo que terminou com a morte do taxista Luciano Barbosa Franco, de 44 anos.
Na época, a investigação da Polícia Civil apontou Jean como autor do disparo que atingiu a cabeça do motorista. Luciano desapareceu na noite de 25 de abril de 2020, depois de aceitar uma corrida no Shopping Campo Grande com destino ao Jardim Carioca.
Detalhes do crime de 2020
O taxista não retornou para casa, e familiares procuraram a polícia. O rastreador do Volkswagen Virtus teve o último sinal emitido pouco depois da meia-noite. Na manhã seguinte, o veículo foi encontrado no Bairro Santa Emília, sem os quatro pneus.
Quase no mesmo horário, um ciclista localizou o corpo de Luciano em um matagal às margens da BR-262, na região do Indubrasil. A Polícia Civil reconstruiu parte do trajeto por meio de imagens.
- Trajeto: O Virtus deixou o Shopping Campo Grande às 23h40 e chegou ao Jardim Carioca às 23h58. O carro ficou parado por cerca de 40 segundos antes de iniciar o caminho de volta.
- Suspeitos: Jean estava no banco traseiro; uma jovem ocupava o banco dianteiro. Outra mulher, que não estava no carro, auxiliou os demais.
- Motivação: O grupo pretendia ficar com o carro do taxista. O Virtus teria sido negociado por R$ 12 mil para ser entregue no Paraguai, mas acabou abandonado em Campo Grande.
- Apreensões: O revólver calibre 38 foi encontrado escondido em uma máquina de lavar, além de munições, cápsula deflagrada, documentos e o celular do taxista.
Passagens anteriores e registros
Além do episódio de 2020, levantamento dos registros em que Jean aparece como autor ou, quando menor, como adolescente infrator aponta ocorrências desde 2018.
- 2018: Registros relacionados à receptação.
- 2019: Roubos com emprego de arma de fogo, associação criminosa, porte irregular de arma e lesões corporais.
- 2020: Diversos roubos, alguns com arma de fogo, restrição de liberdade, associação criminosa, posse ilegal de arma, ameaça, desacato e violência doméstica. Inclui o roubo qualificado com resultado morte do taxista Luciano Barbosa Franco.
- 2021: Lesão corporal em contexto de violência doméstica e porte de drogas para consumo pessoal.
- 2023: Suspeita de furto (não incluída como autoria).
- 2025: Novas ocorrências de violência doméstica: injúria, vias de fato, ameaça, descumprimento de medida protetiva, lesão corporal contra mulher e prisão em flagrante.
Jean havia deixado uma Unei (Unidade Educacional de Internação) pouco mais de um mês antes da morte de Luciano, em 2020. A morte desta segunda-feira foi registrada como a 101ª decorrente de intervenção policial em Mato Grosso do Sul neste ano.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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