Turismo de negócios domina visitação em Campo Grande, diz Wantuyr Tartare
Gerente de Turismo da Semades afirma que maioria dos visitantes chega a trabalho e permanece de três a quatro dias na Capital.
Anuncie Aqui
O turismo em Campo Grande é puxado pelas viagens a trabalho. A maioria dos visitantes chega à Capital para participar de congressos, eventos ou cumprir compromissos profissionais e permanece, em média, de três a quatro dias na cidade, segundo Wantuyr Tartare, gerente de Turismo da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável).
Os dados foram discutidos durante a 7ª Mostra de Turismo de Campo Grande, realizada na manhã desta quarta-feira (12), no auditório do Sebrae. O evento reuniu representantes do poder público, empresários e expositores para discutir o setor na Capital.
Turista de negócios domina perfil de visitante
Segundo Wantuyr, depois dos compromissos profissionais, parte desse público aproveita para conhecer outros destinos de Mato Grosso do Sul, como Bonito. “Nosso turista não é o que anda de chinelo, bermuda e camiseta. É de terno e gravata. A maioria dos nossos turistas é de negócios”, afirma.
O crescimento do turismo de negócios e eventos é acompanhado pela ampliação da estrutura. Na hotelaria, a cidade ganhou mais de mil leitos neste ano em comparação com o ano passado. Mesmo com estadias curtas, esse público movimenta diferentes serviços:
- Hotelaria: ocupação de novos leitos
- Alimentação: restaurantes e bares
- Serviços: farmácias, postos de gasolina e transporte por aplicativo
Turismo de lazer e roteiros regionais
Ao mesmo tempo, a cidade busca ampliar o turismo de lazer. Wantuyr cita o Bioparque Pantanal como atrativo que ajudou a incluir o município no roteiro dos visitantes. Para ele, a Capital deixou de ser apenas ponto de passagem para quem segue ao Pantanal ou a Bonito.
A IGR (Instância de Governança Regional) Campo Grande dos Ipês, que reúne a Capital e outros dez municípios, tem como meta fazer o turista permanecer mais tempo. O presidente Marcos Moraes afirma: “O nosso trabalho tem sido segurar esse turista pelo menos um dia a mais aqui”.
Uma das iniciativas é o projeto Descubra Campo Grande, que apresenta atrativos da cidade em hotéis e a taxistas e motoristas de aplicativo. Para Marcos, o trabalho passa por mudar a percepção dos próprios moradores sobre o potencial turístico.
Turismo rural como alternativa
Entre as alternativas ao turismo de negócios está o turismo rural. Elda Ávila, proprietária da Estância Alegria, oferece atividades como yoga, meditação, trilha botânica e educação ambiental. A maioria dos frequentadores é de Campo Grande, mas a propriedade também recebe visitantes de outros estados.
Um diferencial é a gastronomia voltada a pessoas com restrições alimentares, com cardápio sem glúten e opções para intolerantes à lactose, vegetarianos e veganos.
História e desafios do turismo em MS
Aos 87 anos, o turismólogo Edson Contar, bisneto do fundador de Campo Grande, relembra a estruturação do setor desde os anos 1960. Ele destaca a abertura de propriedades para receber turistas e a criação de agências em Campo Grande, Corumbá, Cuiabá e Aquidauana. “Nós tivemos que semear semente por semente em todas as regiões para poder ter esse turismo”, resume.
Jaqueline Gil, palestrante da mostra, falou sobre desafios e oportunidades diante das mudanças climáticas. Ela ressaltou que Mato Grosso do Sul tem potencial em paisagens e cultura regional, como literatura e música. “Essa conexão com a autenticidade do território consegue se nacionalizar e entrar nas redes de interesse dos viajantes”, afirmou.
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
Ver mais matérias
Comentários