Denúncia revela sobrecarga nos Creas de Campo Grande e demora de até um ano em relatórios de proteção
Servidores relatam equipes incompletas, falta de veículos e horário reduzido no Creas Sul, que atende a região mais populosa da Capital.
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Uma denúncia enviada ao Campo Grande News nesta quinta-feira (13) expõe a sobrecarga nos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Campo Grande. De acordo com o relato de uma servidora que preferiu não se identificar, os profissionais da unidade do Aero Rancho (Creas Sul) enfrentam dificuldades para atender a demanda, especialmente em casos de violência contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos.
Equipes incompletas e relatórios atrasados
A denúncia aponta que os relatórios elaborados por assistentes sociais e psicólogos, essenciais para medidas de proteção, têm demorado até um ano para serem concluídos. As visitas domiciliares, que embasam esses documentos, são realizadas com equipes reduzidas. Atualmente, das nove equipes de visitas do Creas Sul, apenas quatro estão completas — em cinco, faltam psicólogos.
Estrutura precária e falta de veículos
Transporte insuficiente: O Creas Sul conta com apenas um veículo fixo, e outro é enviado para reforçar os deslocamentos em dois ou três dias da semana. A unidade também apresenta problemas estruturais, como forro solto (que virou abrigo para pombos) e elevador quebrado, comprometendo a acessibilidade.
Reforma prometida desde 2020: Apesar das promessas da prefeitura, o prédio não passou por reformas significativas, e o Conselho Tutelar vizinho também convive com estruturas metálicas pontiagudas que representam risco para crianças.
Horário reduzido agrava a situação
Desde a redução do expediente nas repartições municipais, determinada pela prefeitura para cortar gastos, o Creas Sul funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h. A servidora destaca que, em seis horas diárias, as equipes não conseguem dar conta da demanda acumulada.
Escassez de unidades: Campo Grande possui apenas três Creas (Sul, Norte e Centro), enquanto os Conselhos Tutelares foram ampliados de cinco para oito após a morte de Sophia O’Campo e pressão do Ministério Público. A denúncia questiona como três unidades podem atender uma cidade do porte da Capital.
O que diz a prefeitura
Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que “acompanha de forma contínua a demanda” dos Creas e que realiza “monitoramento sistemático” para planejar o fortalecimento da rede. Sobre a falta de servidores, afirmou que a relação entre demanda e capacidade operacional é reavaliada constantemente. Quanto ao horário reduzido, disse que foram adotadas estratégias de reorganização de agendas e otimização dos deslocamentos para evitar descontinuidade no atendimento.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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