Operação Auditus expõe fraudes: bebê de 11 meses e dois mortos ‘assinaram’ lista de atendimentos em clínica de Nioaque
Cinco presos suspeitos de desviar R$ 4 milhões em contratos de saúde da Prefeitura de Nioaque, em Mato Grosso do Sul.
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A Operação Auditus, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), revelou fraudes em contratos de saúde da Prefeitura de Nioaque. Entre as irregularidades, um bebê de apenas 11 meses e duas pessoas já falecidas constam como tendo assinado listas de atendimento médico. A investigação aponta que os serviços, na maioria, nunca foram realizados, gerando um prejuízo de R$ 4 milhões aos cofres públicos.
Fraudes em listas de atendimento incluem assinaturas de mortos e bebês
De acordo com a decisão judicial que autorizou a operação, as listas fraudulentas continham situações inusitadas. “Chegando-se ao absurdo de constar que duas crianças, uma de 3 anos e outra de apenas 11 meses, teriam assinado a lista de atendimento médico”, detalha o documento. Além disso, constam a realização de procedimentos de colocação de DIU em pacientes de 57 e 53 anos, idade em que se recomenda a suspensão do contraceptivo, e consultas com angiologista onde duas pessoas falecidas “assinaram” a lista.
Como funcionava o esquema de desvio na saúde de Nioaque
O Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do MPMS aponta que mães de crianças incluídas nos testes da orelhinha, supostamente realizados em novembro de 2022 pela Prontomed Clínica Médica (atual Policlínica Rota Bioceânica), afirmam que os filhos nunca fizeram o exame pela empresa. A investigação também identificou assinaturas divergentes de um mesmo paciente em listas de especialidades diferentes, o que, segundo o MP, comprova a falsificação.
Segundo as investigações, o proprietário da Prontomed, Robson Aguilar, e a gerente administrativa, Tatiane Grubert, criavam listas com consultas e exames que jamais foram realizados. Eles utilizavam expedientes como falsificação de assinaturas de pacientes e profissionais de saúde, inserção de registros duplicados, uso de nomes de falecidos e inclusão de pacientes em exames incompatíveis com a faixa etária.
Suspeitos e prejuízo de R$ 4 milhões
As listas fraudulentas eram encaminhadas para Márcia Cristiane Missioneira Jará, então secretária de Saúde de Nioaque. Segundo o Gecoc, ela ignorava deliberadamente as irregularidades e autorizava o pagamento integral dos serviços fictícios. O aumento dos gastos com serviços médicos foi de 1.713% no período das contratações fraudulentas, entre 2022 e 2025, sendo que 83% dos exames e consultas pagos pela prefeitura foram simulados.
A operação prendeu cinco pessoas:
- Robson Aguilar – proprietário da Prontomed Clínica Médica, foi candidato a vice-prefeito de Antônio João em 2012, médico-legista e servidor estadual afastado.
- Tatiane Grubert – gerente administrativa da clínica.
- Márcia Jará – ex-secretária de Saúde de Nioaque.
- Bianca Fernandes Leite Aguilar – proprietária da Prontomed.
- Vagner Alves Ribeiro Guimarães – ex-secretário de Governo de Nioaque.
A reportagem do Campo Grande News não conseguiu contato com a defesa dos investigados. A operação contou com apoio do Gaeco e da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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