Polícia revela que sequestradora de bebê em MS planejou crime por meses para conseguir menina
Suzilaine da Graça Costa, presa com a recém-nascida no Paraguai, investigou gestantes até encontrar uma menina, diz DEPCA.
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A delegada Anne Karine Trevizan, da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), detalhou nesta sexta-feira (14) que Suzilaine da Graça Costa planejou o sequestro da bebê de uma adolescente de 17 anos por aproximadamente um mês. A motivação, segundo a polícia, era ter uma filha — a suspeita já tem três filhos, criados pela avó enquanto ela esteve presa.
Como a suspeita se aproximou da família
A investigação aponta que Suzilaine usou grupos de WhatsApp de bairros para ganhar a confiança da mãe. Ela se apresentava como alguém disposta a ajudar, oferecendo doações de roupas e fraldas. A delegada destacou que a abordagem foi calculada e gradual.
- Estratégia de aproximação: A suspeita doava roupinhas e fraldas, visitava a casa e se mostrava solícita, conquistando a família.
- Falso perfil: Dizia trabalhar com produção de fotos e combinou uma sessão fotográfica para o dia anterior ao sequestro, impedida pela família devido ao frio.
- Disfarce final: No dia do crime, ofereceu R$ 100 para que a mãe cuidasse de uma suposta filha de seis meses (na verdade, sua neta), levando a adolescente e a bebê para um cativeiro.
O sequestro e a fuga
No dia do crime, Suzilaine criou uma conta em aplicativo de transporte para não ser identificada. Ela levou as duas adolescentes e a recém-nascida para um imóvel em Campo Grande, onde um homem cedeu a casa por R$ 1.000. As meninas foram abandonadas em um matagal, enquanto a sequestradora fugiu com a bebê para o Paraguai.
- Planejamento: Conta de aplicativo criada um dia antes; roupa da bebê trocada para parecer menino; bebê-conforto substituído.
- Participação: O companheiro Alex Melo de Abreu sabia do sequestro; a suspeita alegou gravidez e posterior perda do bebê, mas a polícia constatou que ela nunca esteve grávida.
Versão de dívida de drogas foi descartada
Apesar de Suzilaine sustentar que o crime foi motivado por uma dívida de drogas, a delegada afirmou que essa teoria foi criada para despistar a polícia e intimidar as adolescentes. A investigação concluiu que não há envolvimento de facção ou tráfico internacional.
- Motivação real: A suspeita queria uma filha para preservar o relacionamento com o companheiro, após ter passado boa parte da vida dos filhos mais velhos presa.
- Outras abordagens: Uma mulher procurou a polícia relatando contato semelhante, mas a delegada confirmou que não houve outras vítimas de sequestro.
Orientações para famílias
A delegada alertou para que famílias tenham cautela com pessoas que se aproximam oferecendo doações em grupos de bairro. “É preciso analisar bem quem está se aproximando e por que”, disse. A investigação foi encerrada e o material será enviado ao Judiciário.
A bebê foi resgatada no Paraguai, repatriada e devolvida à família em Campo Grande na quarta-feira (13). Os três envolvidos estão presos.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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