MP liga empresário de Dourados a R$ 291 mi em metanol fantasma
Ministério Público de São Paulo acusa empresário de Dourados de usar sua empresa para chancelar compra de metanol desviado, em esquema que movimentou R$ 291 milhões.
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Esquema usava Oreonn como fachada para metanol desviado
O empresário César Cirne Leal é acusado pelo Ministério Público de São Paulo de colocar a estrutura da Oreonn, localizada no Distrito Industrial de Dourados, à disposição de uma organização criminosa. A função dele seria dar aparência legal às compras de metanol que, na verdade, eram destinadas à adulteração de gasolina em postos de São Paulo.
Compras de 10,8 milhões de litros sem entrega real
Segundo o Gaeco, entre janeiro e agosto de 2025, a empresa comprou 10,8 milhões de litros de metanol da Quantiq Distribuidora. A Secretaria de Fazenda de MS analisou 153 DANFEs e constatou que apenas duas cargas tinham registro de passagem vinculado ao MDF-e. As outras 151 não tinham o registro que confirmaria o transporte até Mato Grosso do Sul.
- Volume: 10.827.108 litros de metanol registrados como compra pela filial de Dourados
- Notas fiscais: 153 DANFEs analisadas, com apenas 2 registros automáticos de passagem
- Conclusão: para o MPSP, a “esmagadora maioria” das cargas nunca chegou à fábrica
Movimentação financeira de R$ 291 milhões
O MPSP atribui a César Cirne Leal movimentações financeiras que somam R$ 291,7 milhões. A empresa Oreonn teria enviado R$ 110,7 milhões e recebido R$ 180,9 milhões. A maior parte dos pagamentos (R$ 99,6 milhões) foi destinada à Quantiq, fornecedora do metanol. Do lado dos recebimentos, empresas como Global Serviços e Boston Intermediações repassaram R$ 61,5 milhões, e a Max Norte e Inova Óleos Vegetais enviaram R$ 94,1 milhões.
- Valor total: R$ 291.725.256,36 em operações identificadas
- Pagamentos da Oreonn: R$ 110,7 milhões, sendo R$ 99,6 milhões para a Quantiq (89,9%)
- Recebimentos: R$ 180,9 milhões, com destaque para Global Serviços (R$ 43,4 mi) e Max Norte (R$ 61 mi)
Anotação em casa revela participação ativa
Durante buscas na residência de César, os investigadores encontraram uma anotação intitulada “Fluxo Financeiro, Importação de Methanol”, datada de 31 de julho de 2025. O documento detalhava os custos de importação de 15 mil toneladas de metanol a US$ 345 por tonelada, totalizando US$ 5,175 milhões. Para o MPSP, isso mostra que o empresário acompanhava diretamente os detalhes financeiros.
Fiscalização contradiz versão oficial da empresa
Em 16 de outubro de 2025, a ANP e a Polícia Federal vistoriaram a unidade da Oreonn durante a Operação Alquimia. Encontraram tanques sem identificação e ausência de metanol. O supervisor afirmou que a empresa não utilizava metanol nos processos produtivos naquele momento e que a produção de biodiesel havia encerrado no início de 2025. Essa declaração conflita com as notas fiscais que indicam a aquisição de 10,8 milhões de litros entre janeiro e agosto do mesmo ano. A empresa também não apresentou arquivos das notas fiscais de compra nem relação de motoristas.
Ainda segundo a denúncia, a Oreonn produzia um produto chamado “Óleo Mix”, cuja ficha de segurança indicava teor de 40% a 65% de álcool metílico. O MPSP considera que o “Óleo Mix” era metanol diluído e reembalado, servindo para dar aparência industrial ao desvio.
César Cirne Leal é denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro
O empresário foi denunciado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro praticada de forma reiterada. As atividades de adulteração de combustíveis, falsificação documental e fraudes teriam gerado os recursos posteriormente lavados pelo grupo.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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