Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026
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POLÍTICA

Grupo ligado a Moraes tenta ampliar crise e disputar controle no STF

Briga pelo poder no Supremo sobre investigações do Banco Master expõe racha entre ministros e muda o eixo da crise.

16/09/2026 às 08:07
3 min de leitura

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A briga pelo comando das investigações do Banco Master no Supremo Tribunal Federal se intensificou nos últimos dias. Uma ala próxima do ministro Alexandre de Moraes trabalha para tirar o foco exclusivo do colega e transformar o episódio em uma discussão mais ampla sobre as relações do banqueiro Daniel Vorcaro dentro da Corte.

Segundo interlocutores, o objetivo político desse grupo é ampliar a crise para além de Moraes, envolvendo outros ministros citados em mensagens recentes. A estratégia é fazer com que o debate passe de “Moraes e Vorcaro” para “Vorcaro e o Supremo”, alterando a correlação de forças no tribunal.

Votação expõe racha entre ministros

A sessão extraordinária da última segunda-feira deixou clara a divisão. De um lado, Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin defenderam a análise conjunta das duas frentes: a que envolve as mensagens de Vorcaro e a que trata da atuação do relator André Mendonça.

Do outro, Edson Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação dos casos. O placar estava em 4 a 3 quando o ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo o julgamento sem prazo definido para retomada.

Estratégia de ampliar rede de citações

Nos últimos dias vieram a público mensagens que mencionam pessoas ligadas a outros ministros, entre eles Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Embora as situações sejam diferentes e não se equivalham, fontes internas afirmam que o grupo de Moraes quer ampliar essa rede de citações.

Segundo a apuração, quanto mais nomes forem associados a Vorcaro, mais fácil fica deslocar o eixo da narrativa. A tese é que isso permitiria discutir:

  • Quem pode votar no julgamento do caso
  • Quem deve se declarar impedido ou suspeito
  • Quem tem legitimidade para investigar Vorcaro
  • Quem ficará com o controle das apurações daqui para frente

Risco de tribunal se ocupar de si mesmo

A crise, nessa leitura, deixou de ser apenas sobre um ministro. Virou uma disputa interna sobre o funcionamento da Corte e o comando do caso Master. O risco apontado nos bastidores é de o tribunal se ocupar primeiro de questões internas — relações pessoais, suspeições, impedimentos e rituais processuais — e só depois enfrentar a pergunta original: o que precisa ser investigado no Master e até onde ia a rede de influência de Vorcaro.

O agravante é o calendário. A Corte entra nessa crise institucional a poucas semanas da eleição, sem prazo para sair do impasse.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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