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Operação Lívia: adolescente infiltrada como “melhor amiga” virtual entregava segredos da vítima

Uma adolescente de 14 anos se passou por melhor amiga de Lívia para obter confidências e entregá-las a grupo suspeito de induzir a morte da menina.

16/09/2026 às 17:26
3 min de leitura
Computadores e equipamentos eletrônicos apreendidos durante a Operação Lívia pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul
Computador e outros equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação (Foto: PCMS/Divulgação)

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Uma adolescente de 14 anos se apresentou como “melhor amiga” virtual de Lívia, de 13 anos, que tirou a própria vida em Naviraí no dia 22 de julho. Segundo a Polícia Civil, a jovem usava essa falsa proximidade para conquistar a confiança da vítima, ouvir seus segredos e repassá-los ao grupo investigado por induzi-la à morte. As informações eram usadas para chantagear e ampliar o controle sobre a menina.

As duas não se conheciam pessoalmente. O contato começou em redes sociais abertas, como TikTok e Instagram, e depois a vítima foi convencida a entrar em grupos fechados no Discord. A delegada Anne Karine Sanches Trevizan, titular da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) de Mato Grosso do Sul, detalhou o caso ao jornal O Globo.

Participação ativa na live

De acordo com a delegada, a adolescente apreendida atuava ativamente nos ataques. “Essa menina manipulava para que Lívia viesse a praticar atos que fossem eventos dentro daquele grupo. Na live em que a Lívia morreu, é uma das que apresentam maior agressividade contra ela”, afirmou. A investigada também mantinha relacionamento virtual com outro adolescente apontado como liderança do grupo, apreendido em Macaé (RJ).

Na segunda fase da Operação Lívia, deflagrada nesta terça-feira (15), seis jovens foram apreendidos em São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Como todos têm menos de 18 anos, responderão por atos infracionais análogos a homicídio e organização criminosa.

Método de “escravidão digital”

A investigação chama de “escravidão digital” o método usado pelo grupo. Os integrantes se aproximavam de crianças e adolescentes, criavam vínculos e obtinham informações sobre família, escola e rotina. Depois, levavam as vítimas para ambientes virtuais fechados e as pressionavam a cumprir ordens, com ameaças de expor dados pessoais ou prejudicar familiares.

  • Aproximação: perfis falsos com fotos e idades diferentes das reais para parecer da mesma faixa etária.
  • Manipulação: uso de chantagem e ameaças para controlar as vítimas.
  • Submissão: em comunidades fechadas, ações violentas eram tratadas como “eventos” e mediam prestígio pelo “hype”.

No caso de Lívia, a polícia afirma que o período de pressão mais intensa durou cerca de duas horas. Durante a transmissão, os participantes planejaram e acompanharam as ações da menina. Outras vítimas já foram identificadas, incluindo uma adolescente de 17 anos e uma criança de 7 anos. A estimativa é que até 10 pessoas tenham sido alvo do grupo.

Discord suspenso pela ANPD

Após a morte de Lívia, a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) determinou em agosto a suspensão das transmissões ao vivo e do compartilhamento de vídeo no Discord no Brasil. A empresa recorreu, mas a medida foi mantida. O Discord afirmou que desativou o servidor usado pelo grupo antes da morte da jovem e que as atividades ocorreram em outras plataformas.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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