Silvio Almeida se declara inocente e critica demissão após denúncia de importunação
Ex-ministro dos Direitos Humanos nega acusações e alega racismo na forma como foi afastado do cargo por Lula.
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O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, se manifestou publicamente sobre as acusações de importunação sexual que o levaram à sua demissão. Em vídeo divulgado na noite de terça-feira (31), Almeida se declarou “um homem inocente” e criticou a forma como foi demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Almeida afirmou que responderá formalmente às acusações apenas no âmbito judicial, considerando o sigilo da investigação. Ele também lamentou o que considera uso indevido de uma pauta importante.
“A luta das mulheres contra a violência é uma das causas mais importantes do nosso tempo, e foi exatamente por isso que sua distorção funcionou tão bem nesse caso”, declarou o ex-ministro.
Críticas à Demissão e Alegação de Racismo
No vídeo, Almeida também teceu duras críticas à maneira como foi afastado do cargo, alegando racismo. Segundo ele, a forma como foi retirado da vida pública se apoiou na associação de homens negros à brutalidade e ao descontrole.
A demissão de Almeida ocorreu em 6 de setembro, cerca de 24 horas após a repercussão das denúncias. Desde então, o caso é investigado pela Polícia Federal.
“A forma violenta e injusta com que eu fui retirado da vida pública também se apoiou em uma outra realidade que merece igual atenção: a situação dos homens negros numa sociedade que frequentemente nos associa à brutalidade e ao descontrole”, afirmou Almeida.
O ex-ministro questionou a celeridade da sua demissão. “Criou-se também sobre mim a imagem de um homem poderoso. Mas o homem poderoso, convenhamos, não é demitido em 24 horas e sem direito à defesa”, disse.
Almeida reforçou que responderá às acusações judicialmente. “Acusações irresponsáveis têm lugar e hora certa para ser respondidas: na Justiça. E é lá que a verdade será buscada”, concluiu.
Denúncia da PGR e Reação de Anielle Franco
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Silvio Almeida ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 21 de março por importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O caso tem como relator o ministro André Mendonça. A denúncia foi apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que avaliou haver indícios que sustentam o relato de Anielle Franco.
Em publicação na rede X, Anielle Franco se manifestou sobre a denúncia da PGR, afirmando que a medida serve como estímulo para que mulheres que vivenciaram violência denunciem seus agressores. “A denúncia da Procuradoria-Geral República (PGR) é mais uma etapa do reconhecimento da verdade. É também um estímulo para que as mulheres que vivem ou viveram episódios de violência não sofram em silêncio, que denunciem os agressores. Sigo confiando na justiça e acreditando em…”, publicou a ministra.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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