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Trump prorroga cessar-fogo com Irã e alega ‘colapso financeiro’ do país

Em meio a tensões no Golfo de Omã, presidente americano estende trégua para facilitar negociações de paz; Irã nega crise.

22/04/2026 às 08:05
3 min de leitura
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso televisionado sobre o conflito no Oriente Médio, no Salão Cruzado da Casa Branca, em Washington, em 1º de abril

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (22) a prorrogação, por tempo indeterminado, do cessar-fogo com o Irã. O objetivo, segundo ele, é dar mais tempo às negociações de paz em meio a um cenário de tensões no Oriente Médio. Trump também afirmou que a República Islâmica está em “colapso financeiro” devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.

A prorrogação do cessar-fogo não foi confirmada de imediato pelo governo iraniano. No mesmo dia, um navio porta-contêineres foi atingido por disparos atribuídos ao Irã próximo à costa de Omã, resultando em danos materiais, mas sem vítimas, conforme relatado pela agência britânica de segurança marítima UKMTO. A UKMTO também informou que um cargueiro que deixava o Irã foi imobilizado por disparos, sem registro de danos ou feridos neste segundo incidente.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, desencadeado por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, uma rodada de negociações em Islamabad, mediada pelo Paquistão, não obteve sucesso. O Paquistão busca organizar um novo ciclo de conversações para pôr fim ao conflito, que já causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, e impacta a economia mundial.

Resposta do Irã

O ministro iraniano da Agricultura, Gholamreza Nouri, rebateu as alegações de crise, afirmando que o bloqueio naval americano não comprometeu a capacidade do país de fornecer produtos básicos e alimentos. “Quase 85% dos produtos agrícolas e de primeira necessidade são produzidos no país, portanto a segurança alimentar nacional está garantida”, declarou Nouri.

Nouri acrescentou que o Irã “é um país vasto, com numerosos vizinhos e diversos pontos de entrada”, garantindo que a situação “foi prevista com antecedência e foram realizados esforços para garantir que não houvesse impactos negativos sobre a segurança alimentar do país”.

O ministro reconheceu a possibilidade de dificuldades. “Apesar disso, os inimigos agem sem princípios, por isso estamos preparados para o pior cenário”, ressaltou Nouri, enfatizando que as autoridades “consideraram cenários pessimistas” e “realizaram preparativos”. “O principal efeito poderia ser um aumento dos custos e dos preços, mas o princípio da segurança alimentar e o acesso aos alimentos não estão ameaçados”, destacou.

Outras frentes de negociação

Enquanto isso, novas negociações diretas entre Israel e Líbano estão agendadas para quinta-feira em Washington, com a mediação do governo americano. Assim como a primeira rodada, em 14 de abril, as conversações serão lideradas pelos embaixadores. Segundo a agência oficial libanesa Ani, o Exército israelense detonou várias casas na manhã de quarta-feira em Al Bayada, no sul do país. A mesma fonte reportou um ataque israelense na região do Bekaa, que resultou em uma morte. Um balanço oficial divulgado na terça-feira indicou que 2.454 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de conflito.

Antes de anunciar a extensão da trégua, Trump fez um apelo a Teerã para que “libertasse” mulheres que, segundo ele, estariam ameaçadas de execução, considerando a ação como um “começo muito bom para as negociações”.

Nesta quarta-feira, o Irã prosseguiu com execuções, enforcando um homem condenado por acusações de ligações com os serviços de inteligência israelenses. Em Teerã, a vida retomou a normalidade após a reabertura dos principais aeroportos na segunda-feira. Moradores da capital, contactados pela AFP, relataram aproveitar o cessar-fogo, mas expressaram temor de que o conflito possa ser retomado em breve.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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