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INTERNACIONAL

Irã Alerta para Retomada de Hostilidades Após Trump Descartar Proposta de Paz

Presidente americano se diz insatisfeito com termos de Teerã, elevando o risco de escalada militar no Golfo, onde uma significativa presença naval dos EUA permanece.

02/05/2026 às 10:36
3 min de leitura
Um homem iraniano fala ao celular enquanto caminha ao lado de uma enorme bandeira nacional pendurada acima de lojas em Teerã, em 6 de fevereiro de 2026. O Irã e os Estados Unidos iniciaram negociações em Omã em 6 de fevereiro, com Washington se recusando a descartar uma ação militar contra a república islâmica por sua repressão mortal a protestos em massa.

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A frágil trégua entre Irã e Estados Unidos corre sério risco de colapso. Neste sábado, 2 de maio de 2026, um comando militar iraniano alertou para a “provável” retomada das hostilidades, poucas horas depois de o presidente americano, Donald Trump, manifestar insatisfação com a mais recente proposta de Teerã para encerrar o conflito.

As duas potências observam um cessar-fogo precário desde 8 de abril, que seguiu quase 40 dias de intensos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, além de represálias iranianas contra monarquias do Golfo, aliadas de Washington.

Uma rodada inicial de diálogos diretos, mediada pelo Paquistão e realizada em Islamabad em 11 de abril, não produziu avanços significativos. As posições permanecem irreconciliáveis, especialmente quanto ao controle do Estreito de Ormuz – onde o Irã reivindica o direito de cobrar pedágio de navios – e ao controverso programa nuclear da República Islâmica.

A nova proposta iraniana, transmitida esta semana via Paquistão, teve vida curta. Trump, que na quinta-feira recebeu um briefing militar sobre as opções disponíveis, não hesitou em descartá-la. “Neste momento, não estou satisfeito com o que oferecem”, declarou a jornalistas na sexta-feira, atribuindo a estagnação das conversas à “tremenda discórdia” dentro da liderança iraniana. Questionado sobre os próximos passos, o presidente americano ponderou: “Queremos ir lá e simplesmente arrasá-los e acabar com eles para sempre, ou queremos tentar alcançar um acordo? Quero dizer, estas são as opções”.

A resposta de Teerã veio rápida. “É provável que o conflito com os Estados Unidos seja retomado, e os fatos demonstram que os Estados Unidos não respeitam nenhuma promessa, nem acordo”, afirmou Mohamad Jafar Asadi, inspetor-adjunto do comando militar central Jatam al Anbiya, citado pela agência iraniana Fars neste sábado. Ele garantiu que “As forças armadas estão perfeitamente preparadas diante de qualquer possível oportunismo ou ação imprudente por parte dos americanos”.

A escalada ocorre apesar de Trump ter notificado o Congresso, na sexta-feira (1º), que as hostilidades contra o Irã haviam “terminado”, contrariando a expectativa de que ele buscaria autorização para continuar a guerra iniciada em 28 de fevereiro com Israel. Democratas no Congresso, contudo, apontam que a persistente presença militar americana na região sugere o contrário. Embora o porta-aviões USS Gerald Ford tenha deixado o Oriente Médio, uma frota de 20 navios da Marinha americana, incluindo outros dois porta-aviões, permanece na área.

O conflito, que já custou milhares de vidas, principalmente no Irã e no Líbano, continua a reverberar na economia global. Os preços do petróleo atingiram um máximo de quatro anos esta semana, com o barril de Brent cotado a 126 dólares, refletindo a instabilidade e o temor de uma nova onda de violência no Oriente Médio.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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