Cabo Verde Nega Atracagem a Cruzeiro com Surto de Hantavírus
Autoridades de saúde impedem desembarque de passageiros na Praia após OMS confirmar três mortes e casos suspeitos a bordo do MV Hondius, que navegava de Ushuaia.
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Cabo Verde negou autorização para um navio de cruzeiro atracar no porto da Praia, sua capital. A decisão visa “proteger a população de Cabo Verde” após a detecção de um possível foco de hantavírus a bordo. Passageiros do MV Hondius não poderão desembarcar.
Maria da Luz Lima, presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), confirmou a medida. “Em coordenação com outras autoridades (…), não foi concedida ao navio autorização para atracar no porto de Praia”, declarou ela à Rádio de Cabo Verde.
Detalhes do Surto e Resposta da Saúde Pública
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reportou no domingo, 3 de maio de 2026, três mortes relacionadas a um provável surto de infecção por hantavírus em um navio de cruzeiro no Atlântico. O vírus pode causar uma síndrome respiratória aguda grave.
O navio em questão, o MV Hondius, realizava uma viagem entre Ushuaia, na Argentina, e o arquipélago de Cabo Verde. A OMS detalhou a situação epidemiológica:
“Até o momento, foi confirmado um caso de infecção por hantavírus em laboratório, e há outros cinco casos suspeitos. Das seis pessoas afetadas, três morreram e uma está atualmente em terapia intensiva na África do Sul”, informou a organização.
O hantavírus é transmitido por roedores e pode provocar doenças respiratórias graves, com risco de desfecho fatal. A OMS ressaltou a possibilidade de transmissão inter-humana. “Embora seja raro, o hantavírus pode ser transmitido de uma pessoa para outra e provocar doenças respiratórias graves”, indicou a entidade. Mais informações sobre o caso foram divulgadas, veja em Hantavírus Mata Três Pessoas em Navio de Cruzeiro no Atlântico e OMS Confirma Três Mortes por Hantavírus em Cruzeiro.
A Hantavirose no Brasil
No Brasil, o Ministério da Saúde classifica a hantavirose como uma zoonose viral aguda. Ela se manifesta principalmente como a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), um quadro clínico grave que afeta os sistemas respiratório e cardiovascular.
O vírus, pertencente à família Hantaviridae, tem como reservatórios naturais roedores silvestres. Esses animais eliminam o agente infeccioso por meio de urina, fezes e saliva, sem desenvolver sintomas.
A transmissão para humanos ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de aerossóis contaminados pelas excretas desses roedores. O contato direto com mucosas (olhos, boca e nariz), ferimentos na pele ou mordidas de roedores também podem causar a infecção. A transmissão entre pessoas, embora rara, já foi documentada em países como Argentina e Chile, associada a um tipo específico do vírus.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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