Senadores pedem suspeição de Nunes Marques em caso Banco Master por ligação com Ciro Nogueira
Alessandro Vieira e Eduardo Girão solicitam afastamento do ministro do STF de mandado de segurança sobre CPMI do Banco Master, citando "relação íntima" com senador Ciro Nogueira, investigado na Operação Compliance Zero.
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Os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) solicitaram, na última quinta-feira, 7 de maio, a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar um mandado de segurança referente à instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. O pedido de redistribuição do caso foi motivado pela “relação íntima e notória” do magistrado com o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Ciro Nogueira é um dos nomes investigados na quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes envolvendo o Banco Master. Segundo decisão do STF que autorizou a ação, o senador teria atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro em troca de “vantagens econômicas indevidas”.
Em entrevista concedida em fevereiro de 2026, Nogueira minimizou sua relação com Vorcaro, afirmando ser a mesma que “qualquer político em Brasília tem com banqueiros”. Ele também defendeu uma emenda de sua autoria para ampliar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão, negando que a medida beneficiaria o Banco Master. A solicitação para a criação da CPMI do Banco Master, proposta pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), foi protocolada no Congresso Nacional em 3 de fevereiro de 2026, com o apoio de 238 deputados e 42 senadores. No entanto, o nome de Ciro Nogueira não consta na lista de signatários.
Para que a CPMI seja efetivamente instalada, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), precisa ler o requerimento em sessão conjunta do Congresso. Diante da ausência de instalação do colegiado, os senadores Eduardo Girão, Alessandro Vieira e Plínio Valério (PSDB-AM) protocolaram o mandado de segurança no STF que agora é objeto do pedido de suspeição.
A crise do Banco Master culminou na determinação de sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, após a identificação de indícios de irregularidades financeiras e grave crise de liquidez. O Will Bank, braço digital do Master, teve seu encerramento forçado em 21 de janeiro deste ano. O processo de liquidação é acompanhado pela Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada pela Polícia Federal também em 18 de novembro de 2025 para combater a emissão de títulos de crédito falsos. Daniel Vorcaro, o banqueiro central nas investigações, foi preso em 17 de novembro de 2025, solto posteriormente com tornozeleira eletrônica, e detido novamente em 4 de março de 2026.
As investigações apontam que a instituição financeira oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima da média de mercado. Para sustentar essa prática, o Banco Master teria assumido riscos excessivos e estruturado operações que inflavam artificialmente seu balanço financeiro, enquanto sua liquidez se deteriorava drasticamente. Este cenário de fraude também se assemelha aos episódios envolvendo a gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de novembro de 2025.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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