Israel deporta ativistas após detenção em flotilha humanitária para Gaza
Brasileiro Thiago Ávila e palestino-espanhol Saif Abu Keshek foram presos em 30 de abril em águas internacionais, durante tentativa de romper bloqueio e entregar ajuda.
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Israel deportou neste domingo, 10 de maio de 2026, o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, que haviam sido detidos em 30 de abril durante uma tentativa de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza por meio de uma flotilha. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel.
Ávila e Abu Keshek estavam entre dezenas de ativistas a bordo da flotilha, interceptada pelo Exército israelense em águas internacionais, na costa da Grécia. Enquanto a maioria dos passageiros foi levada à ilha grega de Creta e libertada, os dois foram conduzidos a Israel para interrogatório, permanecendo detidos por mais de uma semana.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel, através de sua conta oficial no X, declarou que, “uma vez concluída a investigação, os dois provocadores profissionais, Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha da provocação, foram deportados hoje de Israel”. O órgão não fez menção pública às acusações de “pertencimento a uma organização terrorista” que teriam motivado a prisão prolongada dos ativistas.
A missão, inicialmente composta por cerca de cinquenta embarcações que partiram da França, Espanha e Itália, visava romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino, devastado pela guerra. A detenção, ocorrida a centenas de quilômetros da costa israelense, foi classificada como “ilegal” e “fora de toda jurisdição” pelo governo espanhol, enquanto a ONU exigiu a “libertação imediata”.
Espanha, Brasil e as Nações Unidas haviam solicitado a rápida libertação dos detidos. Na semana passada, um tribunal israelense rejeitou um recurso contra a detenção. Contudo, Israel reiterou que não “permitirá nenhuma violação” do bloqueio marítimo imposto a Gaza.
A ONG israelense Adalah, que representou legalmente os ativistas, denunciou as ações israelenses como um “ataque punitivo contra uma missão puramente civil”. Após a libertação, a organização afirmou que “o uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.
Durante a prisão na cidade costeira de Ascalão, no sul de Israel, a Adalah detalhou “maus-tratos” e “abusos psicológicos”, incluindo interrogatórios de oito horas, iluminação intensa 24 horas por dia na cela, isolamento total e deslocamentos sistemáticos com os olhos vendados, mesmo durante visitas médicas. As autoridades israelenses, por sua vez, rejeitaram essas acusações e, segundo a diplomacia espanhola, não apresentaram “nenhuma prova” do suposto vínculo de Saif Abu Keshek com o Hamas.
Esta não é a primeira vez que uma missão do tipo é interceptada. No ano passado, a chamada Flotilha Global Sumud também foi barrada pelas forças israelenses nas proximidades do Egito e de Gaza. Israel mantém controle rigoroso sobre todos os pontos de entrada e saída do território palestino, justificando a medida como essencial para sua segurança.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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