Crise Irã-EUA Atinge Ponto Crítico com Ultimato de Teerã e Ameaça Nuclear
Negociações travadas: principal negociador iraniano impõe condições a Washington, enquanto legisladores cogitam enriquecimento de urânio para armas se conflito retomar.
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O Irã elevou o tom na escalada de tensões com os Estados Unidos nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, com seu principal negociador e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, emitindo um ultimato a Washington. A exigência é a aceitação de uma proposta iraniana de 14 pontos sob pena de “fracasso”. Paralelamente, legisladores iranianos sinalizaram a possibilidade de enriquecer urânio a 90% – patamar adequado para a produção de armas – caso o conflito seja retomado.
A declaração de Ghalibaf surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, classificar a mais recente contraproposta iraniana como “totalmente inaceitável” e alertar que o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril estava “sobrevivendo por aparelhos”. Em resposta, o negociador iraniano reiterou que os EUA precisam reconhecer os “direitos” de Teerã para encerrar o conflito, com as negociações de paz estagnadas desde o fracasso de uma rodada inicial em abril.
Em uma publicação no X, Ghalibaf foi enfático: “Não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano, conforme estabelecido na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será completamente inconclusiva; nada além de um fracasso após o outro.” Ele ainda advertiu que “quanto mais eles demorarem, mais os contribuintes americanos pagarão”, sublinhando a pressão econômica e política.
A ameaça nuclear foi articulada por Ebrahim Rezaei, porta-voz da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, que publicou no X que os legisladores “examinariam” o enriquecimento a 90% “no caso de outro ataque”. Atualmente, Teerã possui um estoque significativo de urânio enriquecido a 60% de pureza, mas se recusa a transferi-lo para o exterior, insistindo em seu direito ao uso pacífico da energia nuclear, embora admita que o nível de enriquecimento permanece “negociável”.
A recusa do Irã em recuar tem sido acompanhada de alertas militares e ações que abalaram os mercados globais, como a interrupção do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz. Em contrapartida, os Estados Unidos impuseram seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos, aumentando a pressão mútua. Detalhes específicos sobre as propostas de ambos os lados são escassos, mas o programa nuclear iraniano, especialmente a questão do urânio enriquecido, permanece o principal entrave para um acordo.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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