Operação Castratio: PF mira Deputado Marcelo Queiroz em Fraude de R$ 193 Milhões
Parlamentar do PSDB é investigado por esquema de licitações fraudulentas em contratos de castração animal no Rio de Janeiro; crescimento patrimonial sob análise.
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O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB) tornou-se, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, o principal alvo da Operação Castratio, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O parlamentar é investigado por suspeita de participação em um complexo esquema de fraude em licitações que teria desviado cerca de R$ 193 milhões de contratos estaduais para serviços de castração de animais no Rio de Janeiro.
A ação da PF visa apurar irregularidades em 19 contratos firmados entre 2021 e 2023 pela Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPPA), pasta que era comandada por Queiroz à época. A decisão que autorizou a operação, incluindo buscas e apreensões contra membros de uma suposta organização criminosa infiltrada no governo estadual, foi proferida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o ministro Dino, a Subsecretaria de Proteção e Bem-Estar Animal – RJPET, vinculada à SEAPPA, celebrou os 19 contratos com a empresa CONSUVET, totalizando um valor provisionado de R$ 193.687.125,00. Desse montante milionário, R$ 35,5 milhões já haviam sido pagos até janeiro de 2025, levantando sérias questões sobre a gestão dos recursos públicos destinados ao programa.
Um dos pontos centrais da investigação é o crescimento patrimonial de Marcelo Queiroz. O inquérito da PF destaca que o deputado registrou um aumento de 665% em seus bens entre as eleições de 2022 e 2024, passando a declarar R$ 7,6 milhões em imóveis, investimentos e veículos. Esse salto financeiro é considerado pelos investigadores como um forte indício de enriquecimento ilícito.
A PF detalha que o esquema tinha como objetivo principal direcionar contratos públicos para beneficiar a ConsuVet, empresa responsável pelos serviços do programa RJPET. As investigações apontam que servidores e empresários atuavam em conluio para manipular processos licitatórios, desclassificando propostas mais vantajosas para as contas públicas em favor da empresa favorecida.
As suspeitas sobre a ConsuVet incluem a apresentação de documentos irregulares para comprovar capacidade técnica, com contratos supostamente datados antes mesmo da criação oficial da empresa, em 2021. Além disso, a PF afirma que a empresa venceu licitações em regiões onde não possuía estrutura operacional comprovada, evidenciando a fragilidade e o direcionamento dos processos.
A investigação também aponta para aditivos contratuais injustificados, como um aumento superior a 461% na quantidade prevista de castrações em menos de um ano, sem qualquer justificativa técnica adequada. Outro elemento chave é a figura de Antônio Emílio Santos, ex-integrante do setor administrativo da SEAPPA, que autorizava licitações e prorrogações favoráveis à ConsuVet e, meses após deixar o cargo público, passou a integrar o quadro societário da mesma empresa.
Além das suspeitas de fraude em licitações e peculato, a Polícia Federal apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro. Indícios como saques frequentes em dinheiro vivo e movimentações financeiras fracionadas para tentar burlar mecanismos de controle bancário estão sob análise. A falta de comprovação efetiva dos serviços contratados, como castrações e identificação de cães e gatos, também levanta dúvidas sobre a real execução dos contratos milionários e o impacto no bem-estar animal.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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