Trump Convida Xi Jinping à Casa Branca Após Cúpula Marcada por Taiwan e Comércio
Encontro em Pequim, o primeiro de um presidente americano em quase uma década, abordou relações bilaterais, acordos comerciais e a sensível questão de Taiwan.
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Presidente Trump convida líder chinês após diálogo em Pequim
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o líder chinês, Xi Jinping, para uma visita à Casa Branca em setembro de 2026. O convite ocorreu nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, durante a primeira viagem de um presidente estadunidense a Pequim em quase uma década. No encontro, Trump referiu-se ao anfitrião como “amigo” e “grande líder”. A Cúpula Histórica em Pequim teve uma recepção formal no Grande Salão do Povo, incluindo tapete vermelho, banda militar, salva de 21 tiros e crianças entoando mensagens de boas-vindas. Parte da cerimônia e das conversas bilaterais contou com a presença de empresários da delegação americana, como Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla.
Relações bilaterais e acordos comerciais
Trump declarou que a relação bilateral será “melhor do que nunca”. Ele manifestou interesse em firmar acordos comerciais em setores como o agrícola e o aeroespacial. Xi Jinping defendeu que os dois países devem atuar como “parceiros e não rivais”. O líder chinês questionou se as duas nações podem superar a “Armadilha de Tucídides” — teoria histórica sobre o risco de guerra entre uma potência emergente e uma dominante — para forjar um novo modelo de relações. Segundo Xi, o projeto de “rejuvenescimento da nação chinesa” e o movimento político de Trump para “tornar a América grande novamente” podem coexistir.
Taiwan domina pauta de discussões
Apesar das sinalizações de cooperação, a pauta foi marcada pela questão de Taiwan. Nas conversas, que duraram duas horas e 15 minutos, Xi definiu a ilha como “o tema central das relações entre os dois países”. Segundo veículos de Estado da China, ele declarou que “uma má administração do assunto pode levar as nações a colidirem ou entrarem em conflito”. Pequim reivindica Taiwan como seu território e tem aumentado a pressão militar na região sem descartar o uso da força. Os Estados Unidos reconhecem formalmente apenas Pequim, mas a legislação americana exige o fornecimento de armas para a defesa de Taiwan. Em resposta à fala de Xi, o governo em Taipei chamou a China de “único risco” para a paz regional e afirmou que Washington reiterou seu apoio à ilha. Xi Jinping adverte Trump sobre Taiwan, elevando o tom sobre a questão.
Mudança na política de armas e análise de especialistas
Na segunda-feira, 11 de maio de 2026, Trump havia afirmado que conversaria com Xi sobre a venda de armas americanas a Taiwan. A declaração representou uma mudança na política de Washington de não consultar Pequim sobre essas transações. A Casa Branca classificou as conversas iniciais desta quinta-feira como “boas”, sem mencionar Taiwan no comunicado. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, informou que o presidente falará mais sobre a ilha nos próximos dias. Para especialistas, o tom da China indica uma estratégia de negociação. Adam Ni, editor do boletim China Neican, apontou que “o uso de linguagem direta pelo próprio líder chinês é fora do padrão.” Já Chong Ja Ian, pesquisador da Universidade Nacional de Singapura, avalia que “Pequim pode estar identificando uma oportunidade de convencer Trump a assumir compromissos em relação à ilha.”
Oriente Médio e Estreito de Ormuz
As reuniões também envolveram discussões sobre o Oriente Médio, especificamente a guerra no Irã. Analistas apontam que o conflito forçou o adiamento inicial da chegada de Trump à China e tem potencial para impactar sua posição política. Os líderes concordaram em manter o Estreito de Ormuz aberto para o fluxo de energia. O governo estadunidense informou que a China se opõe à militarização da hidrovia ou à cobrança de taxas de uso. O Ministério das Relações Exteriores chinês confirmou o debate sobre a região, sem fornecer detalhes adicionais.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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