Xi Jinping Adverte Trump sobre Taiwan: Risco de “Conflito” em Cúpula na China
Líder chinês enfatizou a questão de Taiwan como central, alertando para perigos em encontro de superpotências em Pequim; Trump elogiou o anfitrião, mas negociações a portas fechadas revelaram tensões.
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O presidente da China, Xi Jinping, alertou seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (14) que qualquer erro em relação a Taiwan pode levar os dois países a um “conflito”. A declaração marcou o aguardado encontro de superpotências realizado em Pequim.
Em sua primeira visita à China em quase uma década, o presidente americano recebeu um tapete vermelho no Grande Salão do Povo. Fanfarra militar, salva de 21 tiros e crianças cantando boas-vindas compuseram a cerimônia. Aparentemente encantado, Trump elogiou o anfitrião, chamando Xi de “grande líder” e “amigo”. Ele previu um “futuro fantástico juntos” para as duas nações.
Tensões a Portas Fechadas
No entanto, a portas fechadas, o tom de Xi Jinping foi menos efusivo. O líder chinês ressaltou que os dois lados “devem ser parceiros, e não rivais”. Ele colocou a questão de Taiwan — reivindicada por Pequim como seu território — no centro do debate diplomático.
“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações bilaterais”, disse Xi, segundo a mídia estatal chinesa. “Se mal administrada, pode levar as duas nações a colidirem ou até mesmo entrarem em conflito, colocando toda a relação China-EUA em uma situação extremamente perigosa”, acrescentou. Esta advertência ocorreu nos primeiros minutos de uma reunião que durou mais de duas horas.
O forte contraste diplomático surge após anos de tensões comerciais e geopolíticas não resolvidas. Referindo-se a uma antiga teoria política sobre os riscos da ascensão de uma nova potência frente a uma dominante, Xi questionou: “Podem China e Estados Unidos transcender a chamada ‘Armadilha de Tucídides’ e forjar um novo paradigma? A cooperação beneficia ambos, enquanto o confronto prejudica os dois”. Desde a última visita de Trump à China, em 2017, Washington e Pequim travaram uma intensa guerra comercial e divergiram sobre diversas questões globais.
A ilha de Taiwan permanece como o principal ponto de atrito. Embora os EUA reconheçam diplomaticamente apenas Pequim, a legislação americana obriga Washington a fornecer armamento para a defesa de Taiwan. A China, que não descarta o uso da força para retomar o território democrático autogovernado, intensificou a pressão militar na região nos últimos anos.
Reação de Taiwan e Análises
Após os comentários de Xi, o governo em Taipei reagiu. Classificou a China como o “único risco” à paz regional e destacou o apoio histórico reiterado dos EUA à ilha. Na segunda-feira (11), Trump havia sinalizado que discutiria a venda de armas a Taiwan com Xi. Esta atitude representa uma mudança em relação à tradição de Washington de não consultar Pequim sobre o tema.
A Casa Branca classificou as conversas iniciais como “boas”, sem citar Taiwan no comunicado. Analistas veem a fala de Xi como um movimento estratégico. Para Adam Ni, editor do boletim China Neican, embora essa “linguagem direta” seja comum na política externa chinesa, é atípica vinda do próprio presidente. Já Chong Ja Ian, da Universidade Nacional de Singapura, sugere que a exigência indica que os chineses enxergam “uma oportunidade de convencer Trump” a firmar novos compromissos sobre a região.
Além das tensões no Leste Asiático, a guerra envolvendo o Irã pautou as negociações. Analistas apontam o assunto como um ponto fraco de Trump, que quase o forçou a adiar a viagem. Segundo a Casa Branca, os líderes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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