Mário Frias Ignora STF: Deputado Evita Intimação de Dino sobre Emendas Ligadas a Filme de Bolsonaro
Há mais de um mês, parlamentar do PL-SP se esquiva de intimação para explicar repasses a entidade ligada à produtora de "Dark Horse", que estreia em setembro. Outros deputados já prestaram esclarecimentos.
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Há mais de um mês, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) tem se esquivado de uma intimação crucial do Supremo Tribunal Federal (STF). A determinação do ministro Flávio Dino busca esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, uma obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com estreia prevista para setembro deste ano, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições gerais de 2026.
A denúncia, apresentada em 21 de março pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), acusa Frias de ter direcionado ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC). A ANC é presidida por Karina Ferreira da Gama, empresária que também comanda a Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”. Dino estabeleceu um prazo de cinco dias para Frias se manifestar, prazo que o parlamentar tem ignorado.
Documentos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854 revelam que a oficial de Justiça Federal tentou intimar Frias em ao menos três ocasiões entre março e abril, no gabinete do deputado na Câmara dos Deputados, em Brasília. Em todas as tentativas, assessores informaram que Frias estaria em São Paulo, cumprindo agenda de campanha, e não demonstraram interesse em fornecer informações sobre seu paradeiro ou compromissos.
A iniciativa de Tabata Amaral decorre de uma reportagem de dezembro de 2025 do site The Intercept Brasil, que apontou que a Academia Nacional de Cultura recebeu R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares de deputados do Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) também foram citados na reportagem e intimados pelo ministro Flávio Dino.
Diferentemente de Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon entregaram seus esclarecimentos dentro do prazo estipulado. Pollon admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, a série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”. Ele, contudo, alegou que o projeto não avançou por “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, redirecionando os recursos para o Hospital de Amor de Barretos (SP). Bia Kicis também confirmou a destinação de R$ 150 mil para a mesma série, que igualmente não foi executada. A deputada classificou a petição de Tabata Amaral como “maldosa”, por associar “indevidamente” sua emenda a supostas irregularidades e desvios de finalidade.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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