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INTERNACIONAL

Colômbia em encruzilhada: Eleição presidencial molda cenário político e regional

Neste domingo, 31 de maio, 41 milhões de colombianos vão às urnas. Ivan Cepeda, da esquerda aliada a Petro, lidera as pesquisas, disputando com Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella a chance de definir o futuro do país até 2030.

30/05/2026 às 09:16
3 min de leitura
Uma motocicleta passa por uma faixa assinada pela facção de Dagoberto Ramos, dissidentes da guerrilha FARC, que insta as pessoas a votarem contra políticos de direita antes da eleição presidencial em Caloto, departamento de Cauca, Colômbia, em 28 de maio de 2026. A Colômbia realizará uma eleição presidencial em 31 de maio de 2026.

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Neste domingo, 31 de maio de 2026, a Colômbia se prepara para um pleito presidencial crucial que definirá os rumos do país pelos próximos quatro anos, de 2026 a 2030. Cerca de 41 milhões de eleitores são chamados às urnas, em um país onde o voto não é obrigatório, para escolher o sucessor do atual presidente Gustavo Petro, cujo mandato se encerra e que, pela legislação colombiana, não pode concorrer à reeleição.

Entre os 14 candidatos que disputam a cadeira presidencial, três nomes emergem como os principais favoritos para avançar ao segundo turno, agendado para 21 de junho. A eleição é vista como um divisor de águas, com potencial para redefinir as alianças geopolíticas da Colômbia, a segunda nação mais populosa da América do Sul.

O resultado das urnas pode tanto consolidar a aproximação da Colômbia com a política externa dos Estados Unidos quanto dar continuidade ao legado do Pacto Histórico, o bloco partidário de esquerda do presidente Gustavo Petro. O primeiro chefe de Estado de esquerda na história do país caribenho buscou, em seu governo, uma agenda de “Paz Total” e maior alinhamento regional com líderes como Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil.

À frente nas pesquisas está Ivan Cepeda, um filósofo de esquerda e notório defensor dos direitos humanos, considerado quase certo no segundo turno. Aliado de Gustavo Petro, Cepeda é senador e filho de Manuel Cepeda Vargas, também senador de esquerda assassinado em 1994, em um caso que sua biografia atribui a “agentes estatais em cumplicidade com paramilitares”.

A trajetória de Cepeda é marcada por uma forte atuação política, incluindo um período de exílio entre 1998 e 2004 devido a ameaças por seu trabalho em direitos humanos. Ele foi deputado federal por Bogotá e senador por três mandatos até 2026, participando ativamente das negociações dos acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2016 e sendo um dos formuladores da política de “Paz Total” de Petro.

Na chapa de Cepeda, a candidata à vice-presidência é Aida Quilcue, uma líder indígena, reforçando o caráter progressista da campanha. Seus principais oponentes são Paloma Valencia, senadora da direita tradicional e aliada do ex-presidente Álvaro Uribe, e Abelardo de La Espriella, um advogado milionário que se apresenta como um admirador dos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, em sua primeira candidatura política.

Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), destaca a relevância da figura de Cepeda. “Petro vem da guerrilha M-19, Cepeda tem histórico de legislador. São perfis diferentes dentro da esquerda colombiana. O Cepeda tem história e trajetória próprias, que não são pequenas, uma vez que enfrentou Álvaro Uribe, talvez a principal figura da direita colombiana”, explica Petrelli, ressaltando que Cepeda herda a popularidade de Petro, mas possui um caminho político consolidado.

O especialista também enfatiza a importância estratégica da Colômbia no continente. “O Petro tentou muito se vincular politicamente ao Lula no contexto regional, em pautas ambientais e sociais. A eleição do seu sucessor representa a manutenção dessa proximidade. Já a eleição de um candidato de direita ou extrema-direita pode significar uma guinada na política externa e na dinâmica regional”, conclui Petrelli, sublinhando que o país, com saídas para o Pacífico e o Caribe, é peça-chave no cenário americano.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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