Colômbia Elegerá Novo Presidente Hoje em Meio a Desafios de Violência e Polarização
Mais de 40 milhões de colombianos vão às urnas neste domingo (31/05/2026). Senador Ivan Cepeda e advogado Abelardo de la Espriella disputam liderança em pleito marcado por contexto de insegurança e pautas divergentes.
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A Colômbia elege seu próximo presidente neste domingo, 31 de maio de 2026. Cerca de 40 milhões de colombianos estão aptos a votar. O sucessor de Gustavo Petro enfrentará o desafio de combater a violência armada, um problema enraizado no país há mais de 60 anos.
A votação para o primeiro turno do pleito presidencial já começou para os eleitores no exterior. Desde segunda-feira, 25 de maio de 2026, mais de 1,4 milhão de colombianos fora do país participam do processo. Caso nenhum dos 14 candidatos obtenha mais de 50% dos votos válidos, um segundo turno ocorrerá em 21 de junho de 2026. A eleição presidencial molda o cenário político e regional da Colômbia, com o resultado podendo definir a continuidade da agenda de esquerda do governo atual ou uma reaproximação com os Estados Unidos.
Candidatos Lideram Pesquisas com Pautas Opostas
O senador Ivan Cepeda (Pacto Histórico), aliado de Petro, lidera as intenções de voto no primeiro turno. Ele promete dar continuidade ao legado social de seu padrinho político. Caso avance para a segunda etapa, seu provável adversário virá do campo da direita.
Uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada em 23 de maio de 2026, mostra o advogado de extrema-direita Abelardo de la Espriella (Defensores de La Patria) com 36,3% das intenções de voto, próximo aos 37,7% de Cepeda. Admirador dos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, Espriella defendeu em sua campanha a livre iniciativa e a família tradicional. Ele prometeu uma abordagem “linha-dura” na segurança pública. Este cenário eleitoral ocorre em meio a acusações de interferência externa.
A senadora conservadora Paloma Valencia (Centro Democrático) aparece em terceiro lugar, com 13,9%, segundo a AtlasIntel. Ligada ao ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, a parlamentar se opõe à estratégia de “Paz Total” de Petro. Esta política buscava negociar a desmobilização de grupos armados. Valencia prometeu desenvolver um “Plano Colômbia 2.0” para combater o narcotráfico em parceria com os Estados Unidos.
Crescimento de Grupos Armados Agrava Insegurança Eleitoral
Um relatório da Fundação Ideias para a Paz (FIP), divulgado em janeiro de 2026, indicou que a Colômbia iniciou este ano eleitoral em um contexto de insegurança maior do que em pleitos anteriores. O estudo aponta para o crescimento dos grupos armados, disputas intensificadas entre organizações e a dificuldade do Estado em retomar o controle de territórios ocupados.
Os grupos armados colombianos encerraram 2025 com mais de 27 mil integrantes, um aumento de 23,5% em comparação com o ano anterior. As disputas entre esses grupos atingiram o nível mais alto dos últimos 10 anos, somando 115 confrontos em 2025 — uma alta de 34% em relação a 2024.
A FIP explicou que o aumento dos confrontos se relaciona ao fim de acordos de coexistência entre as facções armadas. A fundação citou o caso da área andina de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela. Em fevereiro de 2025, um conflito armado eclodiu pelo controle da região, propícia ao plantio da folha de coca. A disputa entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e a 33ª Frente, dissidente das antigas Farc, resultou em aproximadamente 117 mortos, segundo a Defensoria Pública do país. Mais de 64 mil pessoas deixaram Catatumbo à força até 28 de abril de 2025. Esta situação representou a crise humanitária mais grave da Colômbia desde a década de 1990.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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