EUA Ameaçam Retomar Guerra contra Irã e Impõem ‘Linhas Vermelhas’ para Paz
Washington exige destruição de urânio e abertura do Estreito de Ormuz; Teerã defende soberania e desbloqueio de ativos em meio a negociações estagnadas e confrontos recentes.
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Os Estados Unidos elevaram o tom neste sábado (30), assegurando que possuem os meios para retomar o conflito contra o Irã, caso suas “linhas vermelhas” não sejam integralmente respeitadas. A advertência intensifica a pressão sobre as negociações indiretas que, há semanas, buscam um acordo de paz duradouro no Oriente Médio, mas que permanecem em um impasse crítico, agravado pelos confrontos desta semana — os mais severos desde a trégua de 8 de abril de 2026.
As exigências de Washington foram detalhadas pelo presidente Donald Trump, que na sexta-feira (29) utilizou sua rede Truth Social para reiterar que “o Irã deve aceitar que nunca terá armas nucleares” e que seus estoques de urânio altamente enriquecido devem ser “DESTRUÍDOS”. A posição americana, ecoada pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, que afirmou a capacidade dos EUA de retomar as hostilidades, vem após o ataque conjunto de 28 de fevereiro com Israel, que desencadeou a guerra e no qual acusam Teerã de buscar armas atômicas – acusação que o Irã nega veementemente.
Outro ponto de atrito crucial é o Estreito de Ormuz, rota fundamental para o comércio global de hidrocarbonetos e que o Irã mantém praticamente bloqueada desde o início da guerra. Trump exigiu sua “abertura imediata” e o compromisso de Teerã em desminá-lo, enquanto os EUA, por sua vez, impõem um bloqueio aos portos iranianos. Em contrapartida, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, defendeu a “situação especial” do Estreito, localizado em águas territoriais iranianas e de Omã, e o parlamentar Alireza Salimi insistiu que apenas Irã e Omã estão “habilitados a decidir” sobre sua gestão.
Além das questões nucleares e de Ormuz, Teerã pleiteia o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos congelados pelos Estados Unidos. A emissora estatal iraniana Irib chegou a reportar neste sábado (30) um esboço “não oficial” de memorando que incluiria a liberação de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 60,7 bilhões), embora a Casa Branca tenha rejeitado a alegação como uma “invenção”. Fontes em Washington mencionaram na quinta-feira (28) uma possível estrutura de acordo com uma prorrogação de 60 dias do cessar-fogo, mas as negociações seguem emperradas, com um funcionário da Casa Branca declarando que Trump só fará um acordo “bom para os Estados Unidos e que respeite suas linhas vermelhas”.
Apesar da retórica belicista, o porta-voz Baqaei confirmou que “as trocas de mensagens continuam” com os Estados Unidos, indicando que os canais diplomáticos ainda estão abertos. No entanto, o cenário permanece incerto, com a escalada de exigências e a recente violência ameaçando a frágil trégua e a perspectiva de uma paz duradoura na região.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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