G7 inicia cúpula na França sob a sombra do acordo com Irã e tensões globais
Presidente Donald Trump chega a Evian após anúncio histórico, enquanto Macron busca avançar em temas sensíveis, de IA a conflito ucraniano.
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O Grupo dos Sete (G7) iniciou nesta segunda-feira (15 de junho) sua cúpula anual na França, em Evian, com um clima de expectativa e urgência, poucas horas após o anúncio de um acordo histórico entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, desembarcou na cidade anfitriã, no Lago Léman, para o encontro com seus homólogos das principais potências mundiais, prometendo detalhar o pacto que visa reabrir o vital Estreito de Ormuz.
Aliados aguardam um presidente Trump, que celebrou seu 80º aniversário recentemente, com entusiasmo para discutir os termos do acordo e os planos para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio global de combustíveis. A expectativa já gerou uma queda nos preços do petróleo, e o anfitrião, Emmanuel Macron, presidente francês, adiantou via Instagram que a cúpula examinará as “consequências” do pacto, que será assinado na Suíça na sexta-feira, abordando implicações para o Líbano e as atividades nucleares e balísticas iranianas.
Longe de ser o único ponto de tensão, a agenda de três dias do G7 será marcada pela crise na Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, é esperado a partir de terça-feira, após um recente e devastador bombardeio russo que incendiou uma catedral histórica em Kiev e deixou mais de dez mortos em diversas cidades do país.
Como anfitrião, o presidente Macron busca impulsionar uma agenda ambiciosa, que vai além dos conflitos imediatos. Ele pretende discutir a limitação de desequilíbrios econômicos mundiais e a ampliação do controle no âmbito digital, com foco especial na regulamentação da Inteligência Artificial. Para sublinhar a importância do tema, líderes de gigantes da IA como Sam Altman (OpenAI), Dario Amodei (Anthropic) e Arthur Mensch (Mistral AI) participarão de um almoço na quarta-feira para debater a proteção de menores no ambiente digital.
A França também busca expandir o alcance do G7, convidando um desfile de líderes mundiais para Evian. Além dos membros tradicionais – Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá –, a cúpula contará com a presença de chefes de Estado e governo do Brasil, Índia, Quênia e Coreia do Sul. Líderes árabes, incluindo o presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, o emir do Catar e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, também viajarão à cidade para discussões focadas no Irã.
A segurança do evento é massiva, com milhares de policiais e soldados mobilizados, estendendo-se à vizinha Suíça, do outro lado do Lago Léman. No domingo, véspera da cúpula, manifestantes contrários ao G7 entraram em confronto com a polícia em Genebra, na Suíça, lançando garrafas, pedras e fogos de artifício perto da sede da ONU, o que resultou em resposta policial com gás lacrimogêneo e jatos de água.
Fontes indicam que o Presidente Trump, de forma incomum, prolongará sua estadia na França após o término da cúpula, sugerindo possíveis desdobramentos adicionais em sua agenda diplomática.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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