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INTERNACIONAL

Colômbia Gira à Direita com De la Espriella e Fortalece Eixo Conservador de Trump na América Latina

Eleição do advogado Abelardo de la Espriella no último domingo consolida a influência de Washington e a ascensão de governos conservadores, enquanto a esquerda regional perde terreno e a solidariedade a Cuba se esvai.

23/06/2026 às 13:37
3 min de leitura
donald trump

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Abelardo de la Espriella, do partido Defensores de la Patria, conquistou a presidência da Colômbia neste último domingo (21), impondo uma significativa derrota ao atual mandatário Gustavo Petro. A vitória do advogado ultraconservador não apenas redefine o cenário político colombiano, mas também representa um impulso crucial para a agressiva agenda diplomática do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina, contrastando com as dificuldades enfrentadas por Washington no Oriente Médio e na Europa.

Desde o retorno de Trump à Casa Branca, há cerca de um ano e meio, a região tem testemunhado uma acentuada guinada à direita. Países como Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador e Honduras viram a ascensão de líderes conservadores ou confirmaram tendências já existentes, alinhando-se a uma visão mais próxima à de Washington.

Nesse panorama, nomes como Javier Milei na Argentina, Rodrigo Paz Pereira na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Laura Fernández Delgado na Costa Rica, Daniel Noboa no Equador e Nasry Asfura em Honduras exemplificam essa onda conservadora que agora abraça a Colômbia de De la Espriella. Essa convergência ideológica pavimenta o caminho para a intensificação de políticas regionais em sintonia com os interesses americanos.

A ofensiva de Washington se estende a Cuba, onde um bloqueio petrolífero quase total tem forçado o governo comunista a implementar reformas econômicas urgentes. A drástica medida, contudo, tem gerado pouca resistência, com o México e o Brasil — os últimos grandes bastiões da esquerda na região — e a Colômbia, ainda sob a administração de Gustavo Petro, apresentando apenas protestos moderados. Com a saída iminente de Petro, a frente de oposição a essas políticas se enfraquece ainda mais.

O advogado De la Espriella, conhecido por sua retórica firme, “fala a linguagem que muitos em Washington querem ouvir: mais linha dura”, explica Rebecca Bill Chavez, presidente do Diálogo Interamericano. Essa postura é vista como um trunfo para a articulação de novas alianças e o fortalecimento das existentes.

Em março deste ano, após uma espetacular operação militar em Caracas contra Nicolás Maduro, o presidente Trump consolidou a aliança “Escudo das Américas”, reunindo líderes regionais aliados. “A Colômbia certamente se unirá a essa aliança”, prevê Evan Ellis, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). Ellis antecipa “mais colaboração colombiana contra grupos designados como terroristas na região, muito além das fronteiras colombianas”, indicando uma expansão da agenda de segurança.

Um dos pontos de atrito da ambiciosa agenda de segurança americana era a tensão entre o presidente equatoriano Daniel Noboa e o agora ex-presidente colombiano Gustavo Petro, em razão de divergências sobre operações antidrogas coordenadas por Washington e Quito. “Com Daniel Noboa, De la Espriella e Washington na mesma direção, a política na fronteira entre Equador e Colômbia não esteve tão alinhada há anos”, observa Chavez, sinalizando uma nova era de cooperação.

A adesão a políticas mais rígidas se reflete também na segurança pública. Vários governos conservadores na região têm adotado não só a política antidrogas de Trump, mas também modelos como as “megaprisões” popularizadas pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele, indicando uma tendência regional para abordagens mais punitivas.

Os debates públicos na Organização dos Estados Americanos (OEA) revelam que essa guinada ideológica não é apenas resultado da pressão de Trump. A América Latina tem reavaliado drasticamente sua percepção sobre o crime organizado e a crescente pressão migratória, fatores que, por exemplo, impulsionaram a vitória do conservador José Antonio Kast no Chile. A solidariedade histórica que muitos países latino-americanos demonstravam por Cuba, por sua vez, hoje é quase imperceptível, com a ilha enfrentando um isolamento sem precedentes.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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