Reino Unido Propõe Banir Terapias de Conversão LGBTQIA+ com Penas de Prisão
Medida histórica, anunciada nesta quinta-feira (25), abrange Inglaterra e País de Gales e criminaliza práticas abusivas que incluem estupros, espancamentos e manipulação.
Anuncie Aqui
O governo britânico anunciou, nesta quinta-feira (25 de junho de 2026), a apresentação de um projeto de lei que visa proibir as chamadas “terapias de conversão” para pessoas LGBTQIA+ em Inglaterra e País de Gales. A iniciativa, que representa um marco significativo, busca coibir práticas cruéis que, segundo relatos de vítimas, envolvem desde espancamentos e estupros até ameaças verbais, manipulação e exorcismos, e que persistem devido à ausência de uma legislação específica para sancioná-las.
As “terapias de conversão” são práticas pseudocientíficas que partem da premissa equivocada de que a homossexualidade ou a identidade de gênero não-normativa são “doenças” que podem ser “curadas” ou “modificadas”. O novo projeto de lei prevê penas severas para os infratores, que podem chegar a cinco anos de prisão e/ou multas, criminalizando explicitamente a realização destas práticas prejudiciais.
Esta iniciativa marca uma reviravolta após diversas tentativas frustradas desde 2018, que não avançaram sob governos conservadores anteriores. O Partido Trabalhista, no poder desde julho de 2024, cumpriu sua promessa eleitoral de levar adiante a legislação, garantindo a inclusão das pessoas transgênero. “As lacunas legais deixaram as pessoas LGBTQIA+ vulneráveis a estes atos prejudiciais, por isso precisamos legislar”, afirmou Olivia Bailey, Secretária de Estado para a Igualdade, em comunicado.
É importante notar que a legislação se aplica apenas a Inglaterra e País de Gales, uma vez que a competência para legislar sobre o tema é descentralizada no Reino Unido. Escócia e Irlanda do Norte terão de decidir autonomamente sobre a adoção de medidas semelhantes. No cenário europeu, a União Europeia, sem poder legal para proibir as práticas em todo o continente, tem se limitado a recomendar que seus estados-membros as proíbam.
Organizações de direitos humanos celebraram o avanço. Jasmine O’Connor, codiretora da associação Galop, declarou: “Recebemos com satisfação esta legislação, embora chegue com muito atraso. Trata-se de um primeiro passo essencial para tratar as práticas de conversão como uma forma específica de dano.”
Anuncie Aqui
Alcance milhares de leitores
Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
Ver mais matérias
Comentários