Jaques Wagner Nega Irregularidades e Critica PF Após Deixar Liderança no Senado
Senador do PT-BA defende-se de investigações sobre Banco Master, contesta 'espetacularização' da operação e foca em defesa jurídica e eleições de 2026.
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) defendeu-se das investigações da Polícia Federal (PF) sobre sua relação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 26 de junho de 2026, o parlamentar minimizou as suspeitas de repasses financeiros à empresa de sua nora e criticou a “espetacularização” da operação que apreendeu dinheiro em seu apartamento. Wagner confirmou sua saída da liderança do governo no Senado, efetivada em 24 de junho de 2026, para se dedicar à defesa jurídica e à articulação política para as eleições de 2026 na Bahia.
Relação com Augusto Lima e Investigação da PF
Jaques Wagner admitiu a proximidade com Augusto Lima, afirmando que o empresário “se considera” amigo dele. O senador negou qualquer vínculo do relacionamento com as investigações da PF no caso Master. Ele explicou que conheceu Lima durante o processo de privatização do programa Cesta do Povo, na Bahia, e que a relação se consolidou com o tempo.
O parlamentar rechaçou a tese da PF. “Conheci Augusto Lima no processo de privatização [da Cesta do Povo]. Criou-se uma relação. Ele se considera meu amigo. […] A Polícia Federal está construindo uma tese de que essa empresa da minha nora foi construída para me servir. Não tenho nada a ver com a empresa”, declarou Wagner. Ele complementou sobre a percepção de Lima: “Amigo não, mas criou um relacionamento. Ele se considera meu amigo. Ele sempre olhou pra mim: ‘Pô, você é minha referência’ etc.”
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Esta operação investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e o sistema de crédito consignado Credcesta, implementado na Bahia durante sua gestão como governador.
Críticas à Atuação da Polícia Federal
O senador classificou a atuação da Polícia Federal como uma “patacoada” e relatou ter reclamado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele criticou a divulgação de fotos de moedas estrangeiras apreendidas em seu apartamento em Brasília durante a operação. A PF apreendeu US$ 49 mil em um quarto de hotel utilizado pelo senador.
Wagner afirmou que a exibição do dinheiro sobre a cama desrespeitou uma ordem de sigilo e discrição determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O parlamentar classificou a conduta da PF como uma tentativa de “espetacularização” e “reivenção da Lava Jato”. “Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram. Eu disse para ele (Lula) que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização”, enfatizou.
Afastamento da Liderança do Governo
A decisão de Jaques Wagner de deixar a liderança do governo no Senado ocorreu após uma reunião com o presidente Lula em 24 de junho de 2026. O senador relatou que o presidente o questionou sobre sua capacidade de conciliar a defesa jurídica com as responsabilidades da liderança. “Ele (Lula) disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar”, explicou Jaques.
Para substituir Jaques Wagner na liderança do governo no Senado, Lula designou a senadora Teresa Leitão (PT-CE). O anúncio foi feito em 25 de junho de 2026, por meio das redes sociais do presidente. Teresa Leitão assume o posto com a missão de conduzir a pauta governista no Congresso.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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