Tesouro dos EUA sanciona brasileiros e empresa portuguesa por laços com PCC
Sanções atingem duas pessoas físicas e quatro empresas, acusadas de lavar mais de US$ 30 milhões para o Primeiro Comando da Capital.
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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), designou em 1º de julho de 2026 duas pessoas físicas brasileiras, três empresas no Brasil e uma em Portugal. A ação visa indivíduos e entidades supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a principal organização criminosa da América Latina. Segundo o Tesouro, a rede explora o sistema financeiro americano para lavar recursos do tráfico de drogas.
Alvos da Designação
Os alvos da designação incluem Victor Henrique de Oliveira Shimada (Shimada), nascido em 11 de fevereiro de 1985, de Santos (SP), e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira (Stella), nascida em 21 de março de 1992, de São Paulo (SP). As empresas brasileiras são Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. (São Paulo), Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. (São Paulo) e Wave Construções Inteligentes Ltda. (Santos). A empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., de Setúbal, também foi sancionada.
Shimada é apontado como líder do grupo em São Paulo, atuando como elo entre operadores na Flórida e traficantes estrangeiros. Ele e sua organização, conforme o Tesouro, lavaram mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados nos EUA, utilizando criptomoedas para repatriar fundos ao Brasil em benefício do PCC. Stella, parente e associada próxima de Shimada, atuava como secretária e intermediária na coleta de dinheiro em espécie.
As empresas Victory Trading, Pixwave e Wave são controladas por Shimada e operam nos setores de serviços financeiros e construção. A Avenidas Flutuantes, por sua vez, é uma empresa de transporte e armazenamento sediada em Portugal.
Contexto da Investigação e Ações Anteriores
A designação atual é resultado de uma investigação coordenada pela Homeland Security Task Force, com a participação do FBI (escritório de Miami) e do Departamento de Justiça dos EUA. Em janeiro de 2026, o FBI prendeu seis membros do grupo baseado na Flórida, que foram indiciados por lavagem de dinheiro.
O Tesouro americano também informou que, em janeiro de 2025, Shimada esteve brevemente em prisão domiciliar no Brasil. Na ocasião, uma de suas empresas, a Victory Trading, foi utilizada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.
Esta é a terceira ação do OFAC contra o PCC e seus operadores. Em março de 2024, Diego Macedo Gonçalves do Carmo foi designado. Anteriormente, em dezembro de 2021, o próprio PCC foi formalmente designado como organização criminosa.
O PCC é descrito como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental. A organização demonstra expansão global e possui presença significativa nos Estados Unidos, especialmente na Flórida.
Implicações das Sanções
Como consequência das sanções, todos os bens e interesses em propriedade das pessoas e empresas designadas, localizados nos EUA ou sob controle de pessoas americanas, estão bloqueados. Transações envolvendo esses alvos por pessoas ou entidades sujeitas à jurisdição dos EUA são proibidas, salvo autorizações específicas.
Instituições financeiras estrangeiras também podem enfrentar sanções secundárias caso realizem transações significativas com os designados. A ação se fundamenta nas Ordens Executivas 14059, que combate a proliferação de drogas ilícitas, e 13224, direcionada ao combate ao terrorismo e seus apoiadores.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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