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INTERNACIONAL

Israel Marca Mil Dias de Guerra com Divisões e Recusa a Inquérito

País lembra ataque de 7 de outubro de 2023 em meio a protestos e rejeição do governo Netanyahu em investigar falhas.

02/07/2026 às 10:36
3 min de leitura
Manifestantes seguram retratos de um soldado que morreu durante o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, enquanto participam de uma demonstração organizada por ativistas da esquerda israelense contra a guerra em andamento com o Irã e o Líbano e contra o governo israelense, na Praça HaBima, em Tel Aviv, em 18 de abril de 2026

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Israel assinala nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, o milésimo dia desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. O país recorda a data em meio a persistentes divisões internas e à contínua rejeição do governo de Benjamin Netanyahu aos apelos pela criação de uma comissão estatal de inquérito. A primeira cerimônia ocorreu às 6h29 (0h29 de Brasília), horário exato do lançamento do ataque islamista palestino que deflagrou a guerra em Gaza.

O ataque deixou 1.221 mortos, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais de Israel. Além disso, o Hamas levou 251 reféns para Gaza.

Cidadãos expressam frustração com a situação atual. “O que mais pesa para mim é que, mesmo mil dias depois, continuamos presos a essa situação, e as medidas necessárias para avançar não foram tomadas”, disse Dina Hertz, moradora de Jerusalém, à AFP. “Refiro-me a uma verdadeira comissão de investigação, à responsabilização e ao aprendizado de lições concretas e que aqueles que estavam no comando em 7 de outubro demonstrem um sentimento real de vergonha e dor”, acrescentou.

A ofensiva de retaliação de Israel em Gaza deixou mais de 73.000 mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do governo liderado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU. Bairros inteiros no enclave palestino foram devastados, deixando casas, hospitais, escolas e redes de abastecimento de água em ruínas. Para sobreviver, a grande maioria dos dois milhões de habitantes de Gaza precisou se deslocar várias vezes ao longo dos dois anos de conflito, em meio a uma enorme crise humanitária.

As forças israelenses ocupam atualmente quase 70% do território da Faixa, segundo autoridades locais. Desde que um cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro do ano passado, pelo menos 1.053 palestinos morreram em Gaza, segundo a mesma fonte. No mesmo período, o Exército israelense relatou a morte de cinco soldados e de um prestador de serviços.

Uma série de eventos e protestos contra a condução do governo em relação ao ataque e aos meses subsequentes está programada para ocorrer em todo o país.

Comissão de Investigação

A Praça dos Reféns de Tel Aviv, que se tornou um símbolo fundamental da campanha pela libertação dos reféns durante a guerra em Gaza, será renomeada como “Praça da Memória”. Um evento também está agendado para as 20h00 no Parque Yarkon, em Tel Aviv, com a presença de familiares das vítimas e figuras proeminentes do movimento de protesto que questiona as autoridades israelenses e sua gestão da crise.

O “Comitê de Outubro”, organização fundada pelas famílias das vítimas e reféns do 7 de outubro, pediu no X a criação imediata de uma comissão estatal de investigação. Pesquisas indicam que a grande maioria dos israelenses, de todo o espectro político, apoia a criação de um órgão para determinar a responsabilidade das autoridades pela falha em impedir o ataque do Hamas. No entanto, o governo de Benjamin Netanyahu tem se recusado repetidamente a criar essa comissão, embora Israel já tenha utilizado esse mecanismo no passado para investigar graves falhas do Estado.

Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército e um dos principais candidatos a suceder Netanyahu.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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