Operação Exchange Desarticula Núcleo Financeiro do PCC e Bloqueia R$ 10 Bilhões
Victor Shimada, primeiro brasileiro sancionado pelos EUA, liderava esquema de lavagem com 73 empresas de fachada; PF cumpre mandados em 3 de julho de 2026.
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Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como líder de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi o principal alvo da Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026. A Polícia Federal busca 11 suspeitos e cumpre 13 mandados de busca e apreensão contra um núcleo financeiro da facção. Shimada, o primeiro brasileiro sancionado pelos Estados Unidos por vínculo com o PCC, estruturou 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar cifras bilionárias do tráfico de drogas, especialmente haxixe, segundo a Polícia Federal.
Na quarta-feira, 1º de julho de 2026, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Shimada, sua secretária Stella Stefanie Nunes, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal. O governo americano aponta a participação do grupo em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo as autoridades dos EUA, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas.
A Polícia Federal monitorava os suspeitos há semanas. O Estadão apurou que a PF já havia solicitado à Justiça a prisão de Shimada e outros investigados antes das sanções americanas. Os alvos estavam sob vigilância. Investigadores avaliam que a divulgação dos EUA sobre a sanção prejudicou o trabalho de campo e precipitou a operação no Brasil.
O juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo, bloqueou as 73 empresas utilizadas por Shimada. A decisão também determinou o bloqueio e sequestro solidário de bens, direitos e valores até o limite de R$ 10.386.527.419,19, envolvendo os investigados e as pessoas jurídicas citadas na investigação.
Detalhes das Empresas e Movimentações Financeiras
A PF constatou que Victor Shimada utilizava as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. para movimentar, ocultar e dissimular recursos do PCC.
A investigação da Polícia Federal reúne análises de relatórios de inteligência financeira e laudos periciais contábeis. Estes documentos apontam movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de Shimada.
A empresa Hi Quality, sem empregados registrados, foi citada em centenas de comunicações que somam R$ 29,3 bilhões. Victor Shimada aparece em dezenas de registros envolvendo valores expressivos.
Os documentos também indicam o uso de estruturas financeiras para dissimular a origem dos recursos. Uma planilha de controle, atribuída a um usuário identificado como Harry Thompson (também referido como Bryan Willians, apontado como vulgo de Shimada em grupo de WhatsApp), registra operações sob o campo “TOKEN”. Ela reúne dados sobre valores, câmbio, cidades e saldos. Estima-se movimentações de US$ 7,5 milhões em cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.
Os operadores do esquema também tinham forte atuação no ramo de criptomoedas.
A reportagem busca contato com a defesa de Shimada. O espaço permanece aberto para manifestação.
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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