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INTERNACIONAL

Hamas Dissolve Órgão de Governo em Gaza, Abre Caminho para Comitê Tecnocrata

Decisão, anunciada em 6 de julho de 2026, marca mudança política e visa facilitar transição administrativa na Faixa de Gaza.

06/07/2026 às 12:36
3 min de leitura
Vista de edifícios destruídos, entre eles uma mesquita, no norte do campo de refugiados de Al Nuseirat, centro da Faixa de Gaza, 17 de maio de 2024. Mais de 35.000 palestinos e mais de 1.400 israelenses foram mortos, de acordo com o Ministério da Saúde palestino e a Defesa de Israel (IDF), desde que militantes do Hamas lançaram um ataque contra Israel a partir da Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023, e as operações israelenses em Gaza e na Cisjordânia que se seguiram.

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O grupo terrorista Hamas anunciou nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026, a dissolução do órgão que governou a Faixa de Gaza por quase duas décadas. A medida abre caminho para que um comitê de tecnocratas administre o território.

A iniciativa representa uma mudança política significativa para o movimento islamista palestino. O Hamas assumiu o poder em 2007, após confrontos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediada em Ramallah, na Cisjordânia ocupada.

Desde que o cessar-fogo entre Israel e o Hamas entrou em vigor em outubro de 2025, o movimento islamista declarou sua disposição de entregar o poder na Faixa de Gaza a outra liderança palestina. Contudo, questões complexas, como seu desarmamento, permanecem sem solução.

Mohammed al-Farr, chefe do comitê de emergência governamental, “apresentou oficialmente sua renúncia”, disse à AFP Ismail al-Thawabta, chefe do gabinete de imprensa do governo do Hamas. Ele também “decidiu dissolver o comitê para facilitar a transição administrativa e governamental para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês)”, acrescentou al-Thawabta.

O NCAG, que atualmente tem sede no Cairo, foi criado pelo Conselho da Paz. Este conselho foi estabelecido pelo presidente americano, Donald Trump, durante as negociações que resultaram no cessar-fogo entre o Hamas e Israel em outubro de 2025.

Desde então, diversos cenários foram mencionados, mas a situação permanece estagnada. Um dos principais pontos de atrito é o desarmamento do Hamas, que só considera essa possibilidade no âmbito de uma iniciativa política palestina. Israel se opõe a tal condição.

O porta-voz do movimento, Hazem Qassem, declarou à AFP: “O Hamas dá um novo passo ao renunciar à administração da Faixa de Gaza para privar a ocupação de qualquer pretexto para continuar sua agressão e sua guerra de extermínio”.

Um funcionário do alto escalão do Hamas, que pediu anonimato, disse à AFP que o movimento informou às outras facções palestinas sobre sua decisão durante uma recente reunião no Cairo. Segundo ele, todas as facções aprovaram a medida.

O NCAG, com base no Cairo há vários meses, “está totalmente preparado para assumir suas responsabilidades nacionais assim que estejam disponíveis os recursos e capacidades necessários”, escreveu em sua conta na plataforma X o presidente do comitê, Ali Shaath.

O Conselho da Paz reiterou que o princípio fundamental é a “concentração de todas as armas sob controle do NCAG”.

Decisão ‘simbólica’

O cientista político Mkhaimar Abusada explicou à AFP que se trata, antes de tudo, de uma decisão “simbólica”. “O problema não é a dissolução do seu comitê governamental, e sim a aceitação de seu desarmamento (…) continua sendo o principal ponto de bloqueio”, acrescentou Abusada.

A primeira fase do cessar-fogo permitiu a libertação dos últimos reféns israelenses mantidos pelo Hamas em troca de palestinos presos por Israel. A passagem para a segunda fase, que deveria prever o desarmamento do Hamas e uma retirada progressiva das forças israelenses de Gaza, está há meses estagnada.

Nesse período, Israel reforçou sua presença no território. O país descarta o retorno do Hamas ao poder, mas também se opõe, por enquanto, a que a Autoridade Palestina assuma o controle. Hamas e Israel se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo.

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Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

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