MPMS denuncia 100 integrantes do PCC com base em 426 cadastros em MS
Investigação do Gaeco revela organograma do PCC com setores de disciplina, comunicação e finanças; 100 foram denunciados.
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Investigação do Gaeco revela organograma do PCC com setores de disciplina, comunicação e finanças; 100 foram denunciados.
A investigação que chegou em 2020 à lista dos “100 do PCC” expõe uma estrutura que segue ativa no Estado e viabiliza o avanço da facção que disputa território com o Comando Vermelho. As planilhas foram apreendidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) durante a Operação Ponto Cego, em julho de 2020, em um telefone celular. Os arquivos reuniam 426 cadastros atribuídos a integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Com base nesses registros, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) afirmou ter identificado 110 pessoas, das quais 100 foram denunciadas por integrar organização criminosa.
Gaeco detalha “responsas” do PCC em planilhas apreendidas
Nas fichas, as atribuições aparecem no campo chamado “responsas”. O termo identifica as tarefas e posições ocupadas por cada integrante. Os registros também permitem acompanhar mudanças de função e transferências entre setores. O relatório não apresenta um organograma completo nem explica todos os cargos, mas revela uma engrenagem formada por núcleos de controle, comunicação, coordenação territorial e geração de recursos.
Disciplina e comunicação controlam membros dentro e fora de presídios
Uma das funções mais detalhadas é a “Disciplina”. Segundo a denúncia, o setor controla os integrantes e verifica se cumprem as obrigações impostas pela facção. A função não se limita aos presos: integrantes chamados de “Disciplina” ou “Geral” acompanham membros e simpatizantes que estão em liberdade, repassam informações e recebem orientações de lideranças encarceradas.
Nas planilhas, vários apelidos aparecem nesse papel. “Farinha” é citado como “Apoio de Disciplina”. “Beiço”, também chamado de “Don Ruan”, é relacionado à função de “Disciplinar Conesul”, com responsabilidade vinculada a uma região do Estado.
A comunicação também possui responsáveis próprios. Os chamados “Salveiros da Disciplinar” transcrevem, transmitem e guardam os “salves”, nome usado para os comunicados e determinações da facção. O setor funciona como uma rede de circulação de informações entre integrantes, cidades e regiões.
“Koringa” aparece vinculado ao “Salveiro da Disciplinar Rota Norte”. Já “Beiço” é registrado, em outro momento, como “Salveiro da Disciplinar Regional Conesul”. As anotações mostram que a circulação das mensagens seguia divisões territoriais.
Funções de coordenação e finanças completam a estrutura do PCC
Outra função recorrente é a de “Geral”. O documento cita posições como “Geral do Interior de MS” e associa a função ao contato entre membros em liberdade e lideranças presas. “Beiço” passou pela função de “Geral do Interior de MS” antes de atuar na disciplina e na comunicação no Cone Sul, o que mostra que integrantes podiam ser remanejados.
Atividades financeiras aparecem em setores próprios. O relatório menciona o “Progresso” e o “Setor do Óleo”, relacionados a atividades criminosas que alimentariam financeiramente a organização, incluindo o tráfico de drogas. Também há referência à função “Geral dos Caixas MS”.
- Progresso: núcleo ligado à geração e administração de recursos.
- Setor do Óleo: núcleo ligado a atividades financeiras, incluindo o tráfico de drogas.
- Geral dos Caixas MS: função relacionada aos caixas da organização no Estado.
O documento não explica com precisão a diferença entre os setores nem detalha toda a cadeia financeira. Os registros reforçam, porém, que a facção não cuidava apenas da execução de crimes, mas também do dinheiro produzido por eles.
As planilhas registram funções anteriores e atuais, permitindo observar a movimentação dos integrantes. Os cargos não eram necessariamente permanentes: pessoas podiam passar pela comunicação, assumir responsabilidade disciplinar e depois ocupar uma posição territorial, segundo a leitura do MPMS. Essa estrutura ajuda a explicar por que as fichas detalhavam cidade de atuação, histórico prisional e últimas responsabilidades de cada pessoa.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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