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Fundação de Cultura de MS gasta R$ 4,5 milhões em cachês para eventos religiosos

Levantamento aponta que valores para católicos e evangélicos se equiparam; Marcha para Jesus concentra maior parte dos recursos.

11/08/2026 às 16:13
3 min de leitura
Artista gospel se apresenta no palco durante a Marcha para Jesus em Campo Grande, MS, em 2025. Fundação de Cultura gastou R$ 4,5 milhões em cachês para eventos religiosos.
Artista gospel em cima do palco durante a Marcha para Jesus em Campo Grande em 2025 (Foto: Paulo Francis)

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A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) gastou cerca de R$ 4,5 milhões em cachês artísticos para eventos religiosos em 2026, conforme levantamento do Campo Grande News. Pela primeira vez, os recursos destinados a eventos católicos se igualaram aos investidos em atrações evangélicas, como a Marcha para Jesus, que consumiu R$ 2.214.000,00 em 15 cidades.

Marcha para Jesus concentra R$ 2,2 milhões

De acordo com o Diário Oficial do Estado, a fundação contratou 17 atrações para a Marcha para Jesus em 2026. O valor dobrou em menos de dois meses: até 19 de junho, os gastos somavam R$ 1,06 milhão. Apenas em agosto, quatro eventos em Campo Grande, Nova Andradina, Aquidauana e Coronel Sapucaia custarão R$ 784 mil.

Em Campo Grande, os cachês mais altos são para a cantora mirim Maria Marçal (R$ 254 mil), a banda Get Worship (R$ 150 mil) e o cantor John Dias (R$ 50 mil), totalizando R$ 454 mil. O show de Maria Marçal está previsto para 26 de agosto, aniversário da capital.

Eventos católicos têm mais frequência e menor valor unitário

Os contratos para eventos católicos são mais baratos e numerosos. A maioria é para festas juninas, julinas, comemorações de padroeiros e aniversários de comunidades. Exemplos incluem:

  • Festa Julina da Nossa Senhora da Conceição: R$ 7 mil para o cantor Daran Junior (Vila Planalto, Campo Grande, 11 de julho)
  • 5ª Festa Junina em Honra a Nossa Padroeira: R$ 15 mil para o grupo Eco do Pantanal (Carandá Bosque, 12 de julho)
  • Corpus Christi: R$ 155 mil para o show do cantor Thiago Brado (Avenida Fernando Corrêa Costa, em junho)

A fundação também prevê novos gastos com artistas gospel para a Jornada Diocesana da Juventude, que ocorrerá em sete cidades do estado.

Críticas à distribuição dos recursos

A coordenadora do Fórum Estadual de Cultura de MS, Romilda Neto Pizani, defende melhor distribuição dos recursos. “Não é o mesmo gasto com os demais segmentos culturais. Precisamos de mais políticas públicas estaduais e acesso facilitado a editais”, afirmou. Ela lembra que o edital do FIC está atrasado e que a maioria dos recursos para a classe artística local vem do governo federal.

O valor investido em eventos religiosos (R$ 4,5 milhões) seria suficiente para contratar 10 shows do cantor João Gomes, que se apresentou no MS ao Vivo em 2025 por R$ 450 mil, reunindo 50 mil pessoas.

A reportagem procurou a Fundação de Cultura para comentários, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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