Família de Claudinei Borgert contesta versão de confronto e aciona Corregedoria da PM em Três Lagoas
Parentes de Claudinei Borgert, morto em abordagem policial, afirmam que não houve confronto e pedem apuração.
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A família de Claudinei Borgert, de 39 anos, morto em uma abordagem da Polícia Militar no bairro Santa Júlia, em Três Lagoas (MS), contesta a versão oficial de que houve confronto. Segundo os parentes, o homem não teria atirado contra os policiais. O caso ocorreu na noite de quinta-feira (6) e já foi denunciado à Corregedoria da PM e à Comissão de Direitos Humanos da OAB de Três Lagoas.
Família nega confronto e pede investigação
Em entrevista ao Campo Grande News, uma cunhada de Claudinei afirmou que a família não acredita na versão policial. “Não houve confronto. Ele realmente deve ter feito ameaças a essa advogada, que é mulher de um policial”, disse. A familiar destaca que a família não defende as supostas ameaças, mas considera que Claudinei deveria ter tido o direito de responder pelos atos com vida.
- Denúncia: A família acionou a Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Três Lagoas para investigar as circunstâncias da morte.
- Questionamento: Parentes apontam que a ocorrência teria relação com uma questão pessoal envolvendo um policial, já que a advogada ameaçada é esposa de um militar.
Versão da PM: confronto e ordem de prisão
Segundo a Polícia Militar, equipes do 2º BPM localizaram Claudinei durante buscas no bairro Santa Júlia. A corporação afirma que ele reagiu à abordagem, disparou contra a Força Tática e o Getam (Grupo Especializado Tático em Motocicletas), e os policiais revidaram. Claudinei foi atingido, socorrido ao Hospital Auxiliadora, mas não resistiu.
A PM informou ainda que Claudinei tinha uma ordem de prisão expedida pela 2ª Vara Criminal de Jaraguá do Sul (SC) para cumprimento definitivo de pena por roubo. A corporação não detalhou há quanto tempo ele era procurado. Também foi relatado que o homem ameaçou de morte uma advogada no mesmo dia, dizendo integrar uma facção criminosa e que efetuaria disparos contra a profissional.
Ameaça a advogada e histórico trabalhista
De acordo com o boletim de ocorrência, a ameaça teria relação com questões processuais de uma ação trabalhista. A cunhada afirmou que Claudinei havia contratado a advogada após perder o emprego no Atacadão, onde trabalhava no açougue e desenvolveu alergia nas mãos. Ele estaria cobrando dinheiro relacionado ao processo.
- Relato da família: “Eu até acredito que realmente ele tenha feito ameaça. Disse que ‘eu quero meu dinheiro de volta, eu vou aí, você vai ver’. Eu acredito que ele tenha feito isso, porque ele queria o dinheiro dele”, disse a cunhada.
- Questionamento: A familiar questiona a forma como a situação terminou: “Ele tem o direito, como cidadão, de responder vivo”.
Dinâmica da ocorrência e testemunho da mãe
A família também questiona a dinâmica dos disparos. A mãe de Claudinei morava em uma casa ao lado e, segundo a cunhada, ouviu os tiros por volta das 17h40. “Eu escutei três tiros. Ele gritou, me chamou de mãe”, teria dito a mulher em um áudio enviado à família.
Inicialmente, a mãe acreditava que outra pessoa havia invadido a casa e atirado contra o filho. A família demorou a compreender que os disparos partiam da ação policial. “Todos os familiares tiveram essa dificuldade de acreditar que foi a polícia”, contou a cunhada. O celular de Claudinei foi apreendido durante a ocorrência, e os parentes ainda não sabem quais mensagens ou circunstâncias motivaram a denúncia.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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