Ex-militar é baleado na cabeça após ser confundido com irmão em guerra de facções no Jardim Noroeste
Vítima de 46 anos, ex-integrante do PCC, foi atingida por engano em Campo Grande; irmão alvo tinha pena de 31 anos.
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Um ex-militar do Exército, de 46 anos, foi baleado na cabeça na noite de quarta-feira (12) no Jardim Noroeste, em Campo Grande. A Polícia Civil apura que a vítima pode ter sido confundida com o irmão, de 47 anos, alvo de uma guerra entre facções. O próprio homem, ex-integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), relatou a versão aos policiais.
Conforme o boletim de ocorrência, o irmão da vítima está em liberdade condicional e já pertenceu à facção paulista. A suspeita é que o grupo rival, o Comando Vermelho (CV), tenha ordenado o ataque. No momento do crime, o ex-militar estava sentado de costas no portão do imóvel e, por ser “muito parecido com o irmão”, acabou sendo atingido na cabeça, sofrendo perda de massa encefálica.
Socorro e estado de saúde
A cunhada da vítima a socorreu e a levou ao CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes. Devido à gravidade dos ferimentos, o ex-militar foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande. A reportagem do Campo Grande News esteve no local na manhã desta quinta-feira (13), mas ninguém foi encontrado na residência.
- Cena do crime: No quintal, foram encontradas duas garrafas de cerveja, um carrinho de bebê e roupas espalhadas pelo chão, uma delas manchada de sangue. Havia também uma marca de sangue na calçada.
- Testemunha: Uma vizinha, que preferiu não se identificar, afirmou que o ex-militar não morava ali, mas era uma pessoa “muita tranquila e trabalhadora”, e acredita que ele não era o alvo dos atiradores.
Histórico do irmão alvo
O irmão da vítima, natural de Corumbá, acumula pena total de 31 anos e 4 meses na Justiça. Ele estava em livramento condicional desde julho de 2026, após decisão da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande. Entre os crimes, destaca-se um homicídio qualificado praticado em 1997, no Centro de Cuiabá (MT).
- Homicídio em 1997: Condenado pelo Tribunal do Júri por matar um cobrador de táxi-lotação com 5 disparos, sendo 4 pelas costas. O crime ocorreu em 24 de julho, na Rua 13 de Junho, ao lado dos Correios.
- Fuga e prisão: Após o assassinato, o homem fugiu para Campo Grande, onde foi preso no 1º Distrito Policial e recambiado para Mato Grosso. Em setembro de 1998, foi condenado a 16 anos de prisão em regime fechado.
- Outras penas: O histórico inclui condenações por roubo e lesão corporal, somando mais de 30 anos de prisão. Em agosto de 2017, progrediu para o semiaberto, e o livramento condicional foi deferido em julho de 2026.
Uso de documento do irmão
Em 2017, o homem usou o documento do irmão durante um furto em um supermercado atacadista no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande. Na ocasião, foi preso em flagrante após agredir um funcionário e tentar tomar sua arma, sendo baleado no pé. Ele confessou ter usado o documento do irmão por não ter passagens policiais. O caso resultou em condenação a seis meses de detenção.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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