Polícia Científica de MS usa IA para criar retratos falados realistas em investigações
Com inteligência artificial, Polícia Científica de Mato Grosso do Sul aprimora retratos falados e busca suspeitos com mais precisão.
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Durante décadas, o retrato falado foi associado ao desenho feito a lápis por um profissional que tentava transformar uma descrição em imagem. Hoje, a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul usa ferramentas digitais e inteligência artificial (IA) para dar mais realismo ao resultado, mas o ponto de partida continua sendo uma conversa detalhada com a vítima ou testemunha.
O processo ganhou destaque após a divulgação do retrato falado de um homem suspeito de estuprar uma jovem de 19 anos em Paranaíba. A imagem foi produzida com auxílio de tecnologia e divulgada na tentativa de identificar o suspeito. Segundo o perito papiloscopista Orivaldo Mendonça Junior, o uso da inteligência artificial representa uma nova etapa de uma técnica que existe há mais de um século.
Evolução do retrato falado: do lápis à IA
“O retrato falado é uma técnica já centenária, desde o século XIX, 1880, que iniciou esse desenho. Então a gente parte de um desenho que antes era mais rudimentar, mais manual, para uma técnica agora mais informatizada”, explica Orivaldo. A evolução, segundo o perito, passou por diferentes fases:
- Desenhos à mão: os primeiros retratos, feitos manualmente por profissionais.
- Identikit: sistemas que combinavam características faciais, como olhos, nariz, boca e cabelo.
- Imagens reais com edição: uso de fotos reais e softwares de edição para maior realismo.
- IA como refinamento: tecnologia aplicada ao final do processo para dar textura de pele, sombra e iluminação.
“Hoje eu trabalho com fotos reais, com pessoas, com elementos faciais reais. Eu consigo produzir uma foto que chegue mais próxima do real, para que a gente consiga se aproximar de um possível suspeito”, afirma.
Como a IA auxilia sem substituir o trabalho humano
Apesar do nome chamar atenção, a inteligência artificial não cria sozinha o rosto do suspeito. Ela é usada como uma ferramenta de aprimoramento da imagem. “Não é produzido na inteligência artificial, mas a gente consegue dar aquele refinamento final, textura de pele, sombra, iluminação, para que essa foto fique o mais próximo real”, explica Orivaldo. Ou seja, a tecnologia ajuda a deixar a imagem mais natural e compreensível para quem vai receber aquela informação. A construção do rosto, porém, depende das características relatadas por quem presenciou o crime.
Entrevista com vítima: etapa essencial antes da tecnologia
O trabalho começa muito antes do computador. A entrevista com a vítima é considerada uma das etapas mais importantes do processo. O perito explica que a equipe precisa conduzir a conversa com cuidado, principalmente porque muitas vezes a pessoa está tentando lembrar detalhes de uma situação traumática. “Não é simplesmente perguntar como é, mas cada elemento tem um jeito de se perguntar”, diz.
Segundo ele, a equipe utiliza conhecimentos da área de psicologia e memória para evitar induções e ajudar a pessoa a recuperar informações. “O trauma também afeta nossa cognição e nossa memória, então eu preciso retomar da vítima, sem haver um novo trauma, as características do sujeito”, afirma. Durante a entrevista, os profissionais procuram identificar características marcantes, como formato dos olhos, sobrancelhas, nariz ou outras que tenham chamado atenção. “A gente não quer produzir uma imagem idêntica. A gente quer produzir um modelo, uma imagem fictícia, mas que retrate o mais próximo possível”, explica.
Tecnologia permite retrato falado online para todo o MS
Outra mudança trazida pela tecnologia é a possibilidade de realizar entrevistas e produzir retratos falados à distância. Segundo Orivaldo, a Polícia Civil trabalha em uma metodologia online para que delegacias do interior também tenham acesso ao serviço, mesmo sem estrutura especializada. “A gente consegue que um caso lá de uma cidade do interior, que talvez não tenha estrutura adequada, consiga também ter acesso a essa ferramenta”, finaliza.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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