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Cimi revela: MS registra 42 suicídios de indígenas em 2025 e é 2º maior do país

Relatório do Conselho Indigenista Missionário aponta que Mato Grosso do Sul só perde para o Amazonas em número de casos.

17/08/2026 às 06:58
3 min de leitura
Indígenas perfilados em centro comunitário da aldeia Água Branca em Nioaque
Indígenas perfilados em centro comunitário da aldeia Água Branca em Nioaque (Foto: Messias Ferreira)

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Mato Grosso do Sul registrou 42 suicídios de indígenas em 2025, ocupando a segunda posição entre os estados brasileiros com maior número de casos, segundo o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – 2025, divulgado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário). O Estado ficou atrás apenas do Amazonas (77 mortes) e à frente de Roraima (37). No total, o Brasil contabilizou 215 suicídios de indígenas no ano, número superior aos 208 casos de 2024.

Dos casos registrados no país, 151 foram de homens (70,2%) e 64 de mulheres. Em Mato Grosso do Sul, dos 42 casos, 31 envolveram homens e 11 mulheres. Amazonas, Mato Grosso do Sul e Roraima aparecem há anos entre os estados com os maiores índices de suicídio indígena.

Cimi aponta ausência de políticas públicas e violência territorial

O relatório do Cimi relaciona os suicídios a contextos de violência e vulnerabilidade social, e denuncia a ausência ou insuficiência de políticas públicas voltadas ao problema. Para o professor da etnia terena, Kleber Gomes, mestre em Ensino de História pela UEMS, diferentes fatores contribuem para o cenário em Mato Grosso do Sul.

“Todos esses juntos elencados, infelizmente. Aliado ao desrespeito até hoje por parte do Estado brasileiro, em não cumprimento ao que preconiza a Constituição quanto à demarcação de nossos territórios”, afirmou. Segundo ele, a questão territorial prolonga a angústia vivenciada pelos povos indígenas.

  • Vulnerabilidade social: falta de acesso a serviços básicos e renda.
  • Alcoolismo: agravante de saúde mental nas comunidades.
  • Ausência de políticas públicas: insuficiência de ações específicas para indígenas.
  • Falta de perspectiva: desesperança com a morosidade na demarcação de terras.

Suicídios concentram-se entre jovens indígenas

O recorte nacional mostra concentração dos suicídios entre indígenas mais jovens. Dos 215 casos registrados em todo o país, 88 ocorreram entre pessoas de 20 a 29 anos (40,9% do total). Outros 74 casos (34,4%) envolveram indígenas com até 19 anos. Também foram contabilizados 21 casos entre 30 e 39 anos, 28 entre 40 e 59 anos e quatro entre indígenas com 60 anos ou mais.

O professor Kleber Gomes afirma que os casos atingem principalmente homens e jovens. As comunidades têm buscado acompanhar pessoas com saúde mental afetada, com apoio de lideranças locais, religiosas tradicionais e aliados não indígenas.

Escolas indígenas também desempenham papel nesse acompanhamento. “Espaços escolares principalmente em se tratando de escolas indígenas, visto que nesses locais são valorizados os saberes tradicionais, a ancestralidade e as línguas maternas das comunidades”, afirmou.

Conflitos territoriais e dados estaduais

Na avaliação sobre conflitos relativos a direitos territoriais, o levantamento registrou 21 ocorrências em Mato Grosso do Sul em 2025. Dados do Sigo Estatística, da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), apontam que o Estado registrou 342 suicídios totais em 2025, sendo 254 no interior.

Os 42 casos de suicídio indígena representam aproximadamente 16,5% dos suicídios registrados no interior de Mato Grosso do Sul e 12,3% do total estadual. Os números têm bases diferentes: o levantamento da Sejusp reúne registros gerais, enquanto os do Cimi são específicos para a população indígena, compilados a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade, secretarias estaduais de saúde e Secretaria de Saúde Indígena.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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