Gravidez na adolescência impacta renda e trabalho de 3,5 milhões de jovens, revela Plan International
Estudo nacional mostra que a maternidade precoce aprofunda desigualdades, interrompe estudos e reduz oportunidades profissionais.
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Um levantamento nacional realizado pela Plan International Brasil, intitulado “Marcas do Tempo – Gravidez na Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil”, revela os efeitos duradouros da maternidade precoce na vida de jovens mulheres. A pesquisa ouviu 1,5 mil mulheres de 19 a 29 anos em todo o país, das quais 300 tiveram uma gestação antes dos 20 anos.
História de Mariana ilustra os desafios
Mariana (nome fictício), de Mato Grosso do Sul, tinha 18 anos quando engravidou. Ela morava em Campo Grande, estudava para um concurso da Aeronáutica e, após passar, não pôde viajar a São Paulo para os exames presenciais por falta de recursos. A gravidez mudou seus planos. Anos depois, ela cursou Pedagogia com financiamento da empresa onde trabalha, foi promovida em 2024 e iniciou duas pós-graduações em 2026. Sua trajetória reflete as dificuldades e superações comuns entre jovens mães.
Impactos em curto, médio e longo prazo
O estudo aponta que a gravidez precoce aprofunda dificuldades pré-existentes. Os efeitos incluem:
- Curto prazo: interrupção ou atraso nos estudos e maior dependência familiar e financeira.
- Médio prazo: dificuldades no mercado de trabalho, informalidade, baixa renda e isolamento.
- Longo prazo: menor autonomia econômica e permanência das desigualdades educacionais e profissionais.
Obstáculos nas escolas
Relatos do Centro-Oeste mostram que jovens grávidas enfrentam barreiras para continuar estudando. Uma jovem negra de 23 anos contou que foi transferida para o período noturno após engravidar, pois a escola diurna não a aceitava grávida. Ela teve dificuldade de adaptação por ser a mais nova da turma. Outras entrevistadas defendem mais acolhimento nas instituições para evitar o abandono escolar.
Cenário nacional da maternidade precoce
Com base na PNAD Contínua de 2024, a pesquisa estima que o Brasil tenha 17,4 milhões de mulheres entre 19 e 29 anos. Cerca de 6,4 milhões já têm filhos, e aproximadamente 3,5 milhões tiveram o primeiro até os 19 anos. Dados do Sinasc (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos) indicam que adolescentes de até 19 anos responderam por cerca de 12% dos nascimentos em 2022. Entre as que engravidaram precocemente, 68% eram pardas, 7% pretas e 2,3% indígenas. Em 2022, houve aproximadamente 14 mil casos de meninas de até 14 anos grávidas, sendo 16% delas casadas ou em união estável.
Fatores estruturais e recomendações
A pesquisa analisa os reflexos da gravidez precoce na educação, trabalho, renda, saúde, relações familiares, autonomia e direitos sexuais e reprodutivos. O estudo destaca que fatores como pobreza, desigualdade social, raça, território, acesso à educação e saúde e exposição à violência já faziam parte da vida das jovens antes da gestação. A Plan International defende políticas públicas que garantam acolhimento nas escolas e suporte para que as adolescentes possam continuar os estudos e construir trajetórias autônomas.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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