Drogômetro gera dúvidas em quem usa medicamentos antes de chegar às ruas
Aparelho que detecta substâncias psicoativas em blitze começa a valer em outubro de 2026, mas pacientes temem multas.
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Motoristas que usam medicamentos estimulantes ou cannabis medicinal estão preocupados com o drogômetro, aparelho que vai detectar substâncias psicoativas durante blitzes de trânsito. Ainda sem data para chegar a Mato Grosso do Sul, a nova regulamentação que o inclui na Lei Seca passa a valer em 18 de outubro de 2026, conforme o Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito).
O resultado será qualitativo, ou seja, indicará apenas se há presença de substâncias proibidas, sem informar a quantidade detectada.
Medicamentos podem gerar resultado positivo
A psiquiatra Danusa Céspedes Guizzo, professora da UFMS, afirma que orientar pacientes será essencial. “Não se pode dirigir sob efeito de remédios que causem sonolência, tontura ou redução de reflexos”, alerta. Entre os identificáveis estão anfetaminas, presentes em remédios para TDAH, e o THC, da cannabis medicinal.
O aparelho certificado pelo Inmetro detecta cocaína, MDMA, LSD, fentanil, morfina, entre outros. Ainda assim, Danusa esclarece: “Resultado positivo isolado não gera multa automática. O agente precisa constatar ao menos dois sinais de alteração psicomotora”.
Pacientes com TDAH precisam de atenção
A neurologista Yasmin Coelho, da Uniderp, explica que remédios como Ritalina e Vyvanse são psicoestimulantes. “São necessários para controlar impulsividade e foco. Na titulação, orientamos a não dirigir por alguns dias”, diz.
O que fazer ao ser parado pela blitz
Especialistas recomendam levar sempre:
- Receita médica atualizada e válida, com CRM do profissional.
- Laudo ou relatório médico detalhando a necessidade do tratamento.
- Comprovante de origem legal do medicamento, como nota fiscal ou autorização de importação.
Felipe Nechar, advogado da Associação Divina Flor, destaca que o receio maior é o falso positivo. Ele orienta que pacientes com cannabis medicinal tenham documentação mais completa.
Senatran tranquiliza sobre uso de medicamentos
Em nota, o Senatran afirmou que “tomar medicamento, por si só, não constitui infração”. O secretário nacional de Trânsito, Adrualdo De Lima Catao, reforçou que o foco é identificar incapacidade de dirigir, não o uso de remédios.
As punições da Lei Seca incluem multa de R$ 2.934,70 e suspensão de 12 meses. Em reincidência, o valor dobra para R$ 5.869,40.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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