Milei anuncia envio de reforma eleitoral ao Congresso argentino com foco em primárias e ficha limpa
Proposta busca extinguir primárias, alterar financiamento de campanhas e implementar regras mais rígidas para candidaturas.
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O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta terça-feira (21) que enviará ao Congresso, na quarta-feira (22), uma proposta de reforma eleitoral. O projeto visa eliminar as primárias argentinas, alterar o financiamento das campanhas e implementar o mecanismo da ficha limpa.
“Acabou a impunidade. Acabou a farsa. Viva a liberdade, caramba”, afirmou o presidente argentino em uma postagem no X (ex-Twitter).
Detalhes da Reforma
Segundo o jornal La Nación, a reforma eleitoral argentina ganhou contornos mais definidos na sexta-feira (17), durante uma reunião do comitê político do governo Milei, onde foram estabelecidos os pontos centrais da proposta. Entre eles, a chamada política de “recomeço”, mecanismo que permite que partidos em crise se reorganizem sob novas siglas, condição exigida por blocos de oposição para apoiar a reforma.
Em relação ao mecanismo de ficha limpa, o projeto defende que indivíduos que estão “excluídos do cadastro eleitoral em virtude das disposições legais vigentes” não podem ser candidatos. Isso inclui pessoas processadas por genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e violações dos direitos humanos, conforme La Nación.
O Ponto Polêmico das Primárias
De acordo com informações do jornal argentino, o ponto mais polêmico da reforma é o futuro das primárias abertas, eleições prévias simultâneas e obrigatórias dos partidos, as chamadas PASO. Diversos grupos resistem à proposta de extinção do mecanismo, reconhecendo a necessidade das primárias para definir seus candidatos antes das eleições de 2027.
Diante do impasse, a equipe política de Milei decidiu incluir a proposta de “recomeço” no projeto de reforma como moeda de negociação. O objetivo é convencer os blocos mais resistentes a, ao menos, analisar a proposta. Ficou definido também que o projeto será enviado primeiro ao Senado argentino, uma câmara considerada mais favorável para construir as maiorias necessárias à aprovação.
O presidente argentino anunciou no último mês que pretendia impulsionar 90 reformas estruturais em 2026 com o objetivo de “redesenhar a arquitetura institucional” do país “para os próximos 50 anos”. A declaração foi feita durante o discurso anual do chefe do Executivo ao Congresso.
Milei afirmou que enviaria ao Parlamento propostas de mudanças em áreas como economia, sistema tributário, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa, entre outras. Segundo ele, as medidas dão continuidade ao que classificou como um ciclo de transformações iniciado após sua posse, em 2023.
O presidente também destacou o que chamou de “nove meses ininterruptos de reformas estruturais” e afirmou que as iniciativas fazem parte da construção de uma “nova Argentina”.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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