Lula planeja nova indicação ao STF com foco em nome feminino após rejeição do Senado
Presidente busca reverter derrota histórica e fortalecer posição em ano eleitoral de 2026, enquanto oposição defende adiamento para após o pleito.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja uma nova indicação ao Senado para preencher a vaga em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão surge após os senadores imporem uma derrota histórica ao presidente, rejeitando seu indicado original na última quarta-feira, 30 de abril de 2026, conforme relataram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto.
Lula pretende nomear uma mulher para a cadeira no Supremo, disseram as fontes. Esta estratégia visa tornar politicamente mais custoso para os senadores uma nova rejeição. Contudo, membros do círculo próximo do presidente mantêm ceticismo sobre a possibilidade de evitar outra derrota no Congresso.
O STF conta atualmente com apenas uma mulher entre seus 11 membros, a ministra Cármen Lúcia, que tem aposentadoria prevista para 2029.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a escolha do nome e o momento da indicação são prerrogativas exclusivas do presidente. “Mas acredito que o presidente deve exercer sua autoridade para indicar um nome, seja homem ou mulher”, disse Rodrigues.
Contexto Político e Eleições de 2026
Lula se tornou o primeiro presidente do Brasil em 132 anos a ter um indicado ao STF rejeitado pelo Congresso. O episódio demonstra a crescente tensão política em Brasília, intensificada pela aproximação das eleições de outubro de 2026, quando o petista buscará a reeleição.
Membros da oposição defendem que o Congresso aguarde o resultado do pleito para que o presidente eleito em 2026 apresente seu indicado. “O próximo nome para o STF precisa refletir a vontade das urnas, com legitimidade, isenção e novos critérios”, publicou no X o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição.
Essa postura remete à decisão do Congresso norte-americano, então controlado pelos republicanos, de não considerar o indicado do presidente Barack Obama para a Suprema Corte antes das eleições de 2016. A medida permitiu que o presidente Donald Trump nomeasse vários juízes conservadores, remodelando o equilíbrio ideológico da Suprema Corte dos EUA.
Caso um ministro não seja aprovado pelo Senado brasileiro em 2026, o presidente eleito poderá nomear até quatro membros para o STF, alterando potencialmente seu equilíbrio. Atualmente, dois dos 10 ministros em exercício foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com a grande maioria oriunda dos governos do PT.
Pesquisas realizadas nas últimas semanas, antes de 1º de maio de 2026, mostraram um empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, para a eleição presidencial de 2026. Uma pessoa próxima a Lula reforçou a urgência da nomeação. “Não faz sentido esperar e correr o risco de não conseguir fazer uma nomeação depois das eleições”, disse a fonte. “Se o Senado optar por não votar, a responsabilidade será deles.”
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Fernando Bastos
Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.
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