Quarta-feira, 27 de Maio de 2026
Menu
POLÍTICA

Empresário Suplente de Alcolumbre é Indiciado por Fraudes no Dnit Amapá

Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador e presidente do Senado Davi Alcolumbre, enfrenta acusações de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa em esquema de licitações.

27/05/2026 às 21:16
3 min de leitura
Davi Alcolumbre

Anuncie Aqui

A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito que investiga fraudes em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá e indiciou o empresário Breno Chaves Pinto. Ele é acusado de envolvimento em um esquema de direcionamento de contratos e é o segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado Federal.

O indiciamento, divulgado inicialmente pelo jornal O Globo, aponta que Chaves Pinto responderá pelos crimes de associação criminosa, tráfico de influência e corrupção ativa. Além dele, Marcello Linhares, superintendente regional do Dnit no Amapá, também foi indiciado sob acusações de associação criminosa, violação de sigilo funcional e fraude à licitação.

A investigação da PF teve um de seus pontos altos em julho de 2025, quando uma operação foi deflagrada para apurar as irregularidades em Macapá. Os investigadores sustentaram que Breno Pinto utilizava a influência política de sua posição como suplente de Alcolumbre para desviar recursos em concorrências públicas. Embora a PF não tenha encontrado participação direta do senador, o caso permaneceu na Justiça Federal do Amapá.

Um juiz federal, ao autorizar a busca e apreensão de documentos do empresário no ano passado, descreveu Breno como “figura central no esquema criminoso, operando como agente ativo de ingerência institucional no Dnit-AP. Ele se valia de sua influência política (segundo suplente do senador Davi Alcolumbre) e de sua relação pessoal com o Superintendente Marcello Vieira Linhares”.

Procurada na ocasião da reportagem inicial, a defesa do empresário Breno Chaves Pinto informou que só se manifestaria após ter acesso ao relatório final da Polícia Federal. Por meio de nota, o senador Davi Alcolumbre afirmou não ter relação com as atividades empresariais de seu suplente. Marcello Linhares optou por não se manifestar.

Breno Pinto, de 39 anos, natural de Imperatriz (MA), fez sua estreia na política em 2022, declarando mais de R$ 8,5 milhões em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo a maior parte em participações societárias. Além da vida empresarial e política, Pinto é conhecido no esporte a motor, tendo conquistado o título nacional de motovelocidade na categoria GP 1000 Open em 2023.

As investigações da PF indicam que Breno Pinto valia-se de sua proximidade com o presidente do Senado para, a pretexto de influir em atos de agente público, obter vantagens indevidas. Essa prática configura, em tese, o crime de tráfico de influência. Conforme noticiado pelo Estadão, Alcolumbre chegou a destinar R$ 9 milhões do chamado “orçamento secreto” para uma obra no município de Santana (AP) executada por uma empreiteira de Breno, a mesma que foi investigada pela PF em 2022 por suspeita de superfaturamento em obra viária no Amapá, ocasião em que o suplente foi alvo de busca e apreensão.

Com a conclusão do inquérito, o processo será agora encaminhado pela Justiça Federal do Amapá ao Ministério Público Federal, que avaliará as provas e decidirá sobre a denúncia formal contra os indiciados.

Comentários

Anuncie Aqui

Alcance milhares de leitores

Imagem do avatar

Fernando Bastos

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura política e econômica de Mato Grosso do Sul. Especialista em administração pública e bastidores do poder. No MS Digital News, coordena a equipe de reportagem e assina as principais análises sobre o desenvolvimento do estado.

Ver mais matérias