Eduardo Bolsonaro lança filme ‘Dark Horse’ nos EUA, que classifica como “pesadelo para a esquerda”, em meio a condenação pelo STF
Produção sobre Jair Bolsonaro teve primeira exibição pública em Las Vegas na última segunda-feira (15), dias antes de ex-deputado ser sentenciado por coação no curso do processo; financiamento por banqueiro preso levanta suspeitas da PF.
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, participou na última segunda-feira, 15 de junho, da primeira exibição pública do filme “Dark Horse” em Las Vegas, nos Estados Unidos. A produção, inspirada na trajetória de seu pai e já alvo de investigação da Polícia Federal, foi classificada por Bolsonaro como um “pesadelo para a esquerda” e um potencial “sucesso mundial”, durante um evento organizado por grupos da direita americana.
Ao lado do diretor Cyrus Nowrasteh, o ex-parlamentar enfatizou a estratégia de lançar o longa em inglês, justificando a decisão como uma forma de evitar bloqueios no Brasil e de alavancar a produção para o cenário global. “O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial”, afirmou, segundo reportagem do jornal O Globo.
A produção, contudo, está envolta em sérias controvérsias financeiras. O financiamento da obra pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teria enviado ao menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) ao projeto até maio de 2025, é um dos pontos cruciais. Vorcaro encontra-se atualmente preso e é investigado por fraude financeira. A Polícia Federal, por sua vez, apura se parte desses recursos foi desviada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em um período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia bloqueado suas contas e dificultado o recebimento de valores no exterior.
O lançamento do filme ganha um contraponto dramático com a recente condenação de Eduardo Bolsonaro. Um dia após o evento em Las Vegas, a Primeira Turma do STF sentenciou o ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, por coação no curso do processo. A acusação indicava que Bolsonaro teria tentado constranger ministros do Supremo e influenciar o andamento do julgamento contra seu pai por tentativa de golpe de Estado.
Durante o painel nos EUA, Eduardo já havia abordado a ação que respondia no STF, criticando abertamente os ministros da Corte e a condução dos processos relacionados à suposta trama golpista. “Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível”, declarou.
Anteriormente, o projeto “Dark Horse” já havia enfrentado uma ação movida por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Justiça Eleitoral, que pedia a proibição da exibição do filme durante o período eleitoral. O processo, no entanto, foi extinto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considerou que os autores não possuíam legitimidade para ajuizar a ação na Corte.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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