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POLÍTICA

PF revela que Jaques Wagner negociou imóvel sob suspeita mesmo após deflagração da Operação Compliance Zero

Líder do governo Lula no Senado é alvo da 9ª fase da Compliance Zero por supostos repasses ilegais e ocultação de propriedade milionária na Bahia.

18/06/2026 às 10:57
3 min de leitura
Wagner comprou imóvel milionário na Bahia com ajuda de ex-sócio de Vorcaro, diz PF

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A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18) pela Polícia Federal, trouxe à tona novas revelações sobre o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A investigação aponta que o parlamentar teria mantido negociações para a regularização de um imóvel de alto valor em Salvador, Bahia, mesmo após o início das apurações da própria operação policial.

Segundo a PF, Wagner é suspeito de receber uma série de vantagens indevidas, incluindo repasses financeiros que totalizariam R$ 3,5 milhões, supostamente realizados por meio de uma empresa ligada à sua nora. Além disso, o foco da recente fase se concentra na aquisição de um apartamento milionário no Poème Horto, bairro nobre de Salvador, com a suposta ajuda de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também investigado na operação.

Os indícios apontam para uma transação suspeita envolvendo um apartamento (unidade 1702), avaliado em R$ 2,45 milhões. Conforme a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a operação, mensagens trocadas em novembro de 2024 entre Jaques Wagner e Augusto Lima já tratavam do imóvel, com detalhes sobre a unidade e o preço. No dia seguinte, Augusto Lima teria contatado Valério Marega Júnior, operador financeiro ligado ao Banco Master, para repassar dados do empreendimento e do corretor.

O que mais chama atenção, contudo, é a continuidade das tratativas sobre o apartamento mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero. Registros policiais indicam que, em maio de 2025, quase seis meses depois das primeiras mensagens, Wagner encaminhou a Augusto Lima um pedido de seu filho ou filha para obter os dados do proprietário formal do apartamento, visando a emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) para obras no imóvel. O prazo para o documento era 19 de maio daquele ano.

Este episódio, segundo a Polícia Federal, seria uma evidência da “dissimulação da titularidade real”, já que o imóvel estaria formalmente vinculado à empresa Epítome S.A., e não diretamente a Jaques Wagner. Augusto Lima, por sua vez, teria fornecido o contato de David Lopes Monteiro, outro operador financeiro do grupo, para atender à solicitação.

A reportagem buscou contato com Jaques Wagner, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestação do parlamentar e de seus representantes.

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André Vilela

Formado em Comunicação Social, atua no jornalismo digital com foco na agilidade e precisão da informação. Cobre o cotidiano das cidades sul-mato-grossenses, trazendo os fatos assim que eles acontecem. Apaixonado por tecnologia e novas mídias.

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