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ESTADO

MPT pede expropriação de duas fazendas com mais de 5,3 mil hectares para reforma agrária

Fazendas em Mato Grosso do Sul, onde foi constatado trabalho escravo, devem ser destinadas à reforma agrária.

31/08/2026 às 16:27
3 min de leitura
Fazendas com 5,3 mil hectares devem ser destinadas à reforma agrária em Mato Grosso do Sul
Tendas onde trabalhadores dormiam na Fazenda Carandazal. (Foto: Divulgação MPT/MS)

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Duas fazendas de Mato Grosso do Sul, que somam 5.341 hectares, podem ser expropriadas para reforma agrária. Em ambas, o Ministério Público do Trabalho (MPT) constatou submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo e já pede a desapropriação na Justiça. Um acordo de cooperação técnica entre órgãos deve acelerar o processo.

Fazenda Carandazal: primeira área-alvo

A primeira área com pedido de expropriação é a Fazenda Carandazal, em Corumbá, na fronteira com a Bolívia. A propriedade tem 2.091 hectares. Em fevereiro de 2023, quatro trabalhadores foram resgatados no local pela fiscalização.

A ação civil pública, que tramita na Vara do Trabalho de Corumbá, aponta histórico de reincidência em infrações trabalhistas. Além do repasse de toda a terra ao programa de reforma agrária, o MPT pede R$ 25 milhões em reparação por danos à sociedade.

Fazenda Bahia dos Carneiros: resgate de adolescentes e indígenas

A segunda propriedade é a Fazenda Bahia dos Carneiros, em Porto Murtinho, com 3.250 hectares. Em abril de 2023, a fiscalização resgatou sete trabalhadores em situação de exploração, incluindo dois adolescentes e três indígenas.

O processo tramita na Vara do Trabalho de Jardim e pede a tomada do imóvel para destinação social, além de indenizações que totalizam R$ 8,9 milhões. O MPT argumenta que o direito à propriedade só subsiste quando cumpre sua função social e não viola a dignidade humana.

Um dos quartos onde dormiam os trabalhadores resgatados na Fazenda Bahia dos Carneiros. (Foto: Divulgação MPT/MS)

Acordo de cooperação técnica acelera trâmites

O MPT/MS, a Superintendência Regional do Trabalho (SRT/MS) e o Incra/MS assinaram um Acordo de Cooperação Técnica para dar celeridade às ações de expropriação. A parceria, com vigência inicial de cinco anos, prevê atuação conjunta em fiscalização, troca de informações e acompanhamento de processos judiciais.

A Constituição Federal determina que propriedades rurais onde for flagrado trabalho escravo sejam expropriadas e destinadas à reforma agrária, sem indenização ao proprietário. O texto constitucional também estabelece que a reparação à comunidade deve ser imediata.

Com o acordo, o Incra dará prioridade aos trabalhadores resgatados nas operações para receber os lotes de terra expropriados.

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Mariana Costa

Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.

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