Ex-senador Pedro Chaves, ‘idealista’, foi alvo de plano secreto na Ditadura
Aos 85 anos, empresário e ex-senador relembra perseguição política e prisão em 1964, além de constar no Plano Tarrafa.
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O empresário e produtor rural Pedro Chaves dos Santos Filho, de 85 anos, afirma que era um “idealista e romântico”. Ele foi um dos 63 nomes listados no Plano Tarrafa, operação secreta de inteligência da Ditadura Militar. Em 1964, passou seis meses preso, em períodos intercalados, incluindo o cárcere no porão do navio Raul Soares, ancorado a 5 km da costa de Santos (SP).
Perseguição política e prisão
“Era de centro-esquerda. Nunca fui filiado ao Partido Comunista. Era um idealista sim. Acreditava muito no Brasil, na necessidade de melhorar a distribuição de renda, a favor da reforma agrária, não vou negar nunca”, afirma Chaves. Sobre o passado, quando tinha seus 20 e poucos anos, o empresário fala pouco, pois dentro de 60 dias lançará a biografia “Vencendo desafios”. “Conto do meu nascimento até os dias de hoje. Lá é fidedigno, com dados reais do que aconteceu. Conto a história toda. Mas não posso dar spoiler”, diz.
Os registros do Plano Tarrafa
O relatório da operação, elaborado pelo Comando da 9ª Região Militar, DOPS e Polícia Federal, catalogou cidadãos do sul do então Mato Grosso para prisões preventivas e confinamento em quartéis. No dossiê, consta que Pedro Chaves, em 1968, fazia curso de língua russa, tinha farta literatura comunista e pleiteava bolsa na Universidade Patrice Lumumba, em Moscou. O documento ainda o descreve como “comprometido com o movimento subversivo”, participante de passeatas estudantis e ex-terceiro sargento expulso do Exército.
“Consta que mantém ligações com elementos do Paraguai, ser também entusiasta da Revolução Cubana e Regime Soviético. Avesso à disciplina, hierarquia e contra os regulamentos militares”, registra o dossiê. Quando o levantamento foi feito, o campo-grandense já estava de volta à terra natal, morava no Jardim Monte Líbano e era diretor da Mace (Moderna Associação Campo-grandense de Ensino). A data impressa no relatório é 1981, referente à entrega do documento.
Vida após a redemocratização
Na democracia, Chaves foi anistiado. “Em 1964, fui preso. Somando os períodos, dava seis meses. Fiquei um tempo num navio a cinco quilômetros da costa e a Marinha guardava o navio. As pessoas que não gostavam do regime iam para lá”, diz. Ele não se alonga no relato por conta da biografia que será lançada.
“Eu tinha 23 anos e todo jovem tem que ter o idealismo, era um romântico incorrigível. Fui presidente do diretório acadêmico em Campinas (SP). Os estudantes de Economia, Direito, Sociologia tinham outra cabeça. Hoje, sinto a juventude bem alienada”, afirma. Cursou a Faculdade de Ciências Econômicas da PUC-Campinas. Atualmente, diz que não é antidireita nem antiesquerda. “Construí um império educacional, dei muitas bolsas de estudos. Foi muito bom e gratificante. O importante é ser generoso e um bom brasileiro”, afirma Chaves, que também foi senador entre 2016 e 2019.
A violência institucional da Ditadura em Mato Grosso do Sul voltou a ser assunto com a revelação de que o MPF vai entrar na Justiça para reparação financeira a mais vítimas de violações de direitos. A ação busca retratação pública do Estado, exibição de documentos, indenização por danos morais coletivos e responsabilização patrimonial de herdeiros de agentes repressores.
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Mariana Costa
Redatora especializada em cidadania e políticas públicas. No MS Digital News, dedica-se a apurar histórias que impactam diretamente a vida do sul-mato-grossense, com compromisso ético e transparência. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social.
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